quarta-feira, 20 de setembro de 2023

NAU POESIA: A LUA

A lua é um olho cego brilhante
mergulhado no abismo,
preso ao fundo do imenso lago azul,
a mirar sempre os homens
fixamente, obstinadamente, obsessivamente.

Seu olho de ciclope sem íris, só pupila,
produz arcos prateados e ocráceos
nas nuvens,
as espumas da noite,
a superfície aparentemente calma
do lago suspenso que nos rodeia.

O que será que nos esconde
esse olhar perdido na noite?
Que seres e mistérios
habitam sua face oculta?
Que segredos guarda
essa testemunha ocular
das almas obscuras que habitam a Terra?

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Villa-Lobos, o pai da MPB
Música pra viagem: Mirrorball


"A lua" faz parte do livro "Cor própria (1984-1999)", lançado em 2022 e à venda na Amazon do Brasil e de mais 12 países na versão digital (ebook). Clique aqui se quiser adquirir o seu. Esta poesia foi publicada originalmente neste blog em 28 de março de 2010 e arquivada posteriormente.

As fotos foram feitas pelo mesmo autor da poesia, na noite de 2 de agosto de 2023, no bairro do Balneário, região continental de Florianópolis.

O vídeo traz a gravação original de "Brain damage" e "Eclipse", as duas últimas músicas do emblemático disco do Pink Floyd "The dark side of the moon", lançado há 50 anos.

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quinta-feira, 7 de setembro de 2023

NAU POESIA: SEXO

Ontem foi dia do sexo, segundo me relataram as redes sociais, então resolvi resgatar esta poesia abaixo, que havia sido publicada aqui neste blog em 15 de dezembro de 2010. A poesia faz parte do ebook "Cor própria", publicado no ano passado e à venda na Amazon do Brasil e de mais 12 países.

Convido, portanto, você a ler abaixo os versos de "Sexo". Peço também que comente, compartilhe e não deixe de seguir o blog. Agradeço desde já.

Que é o sexo senão
idílio e claustro,
glória e martírio,
profanação e devoção,
submissão e dominação?

Que é senão
o não caber mais em si –
mesmo sem se saber quem é –
o transbordar,
sucumbir e ressuscitar,
o transcender
a dor e o prazer?

É um se entregar para tudo ter,
um se deixar à própria sorte,
um rir e chorar,
que é a própria vida,
que é a nossa própria morte.

"O abandono", escultura
de Camille Claudel

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segunda-feira, 4 de setembro de 2023

NAU POESIA: VERTIGINOSA VIDA

"Voo das Bruxas",
Francesco de Goya 
Quantas voltas dar
para se achar
para se perder
Quantas portas trancar
para se aprisionar
para se proteger
Quantos muros erguer
para se esconder
para se encolher
Quantos labirintos percorrer
para se desafiar
para se vencer

Se quiser ter fácil
não será difícil
Se escolher conquistar
terá longo caminho
Se pedir verdade
só achará incerteza
Se encontrar mentira
pode ter certeza

Para ganhar ternura
enfrentará desdém
Para ter carinho
receberá palmadas
Para manter o corpo
venderá a alma
Para ser espírito
mastigará a carne

Por que quer ajuda
pra poder andar
Pra que andar
se já quer correr
Como quer correr
já pensou voar

Como olhar pra frente
de olhos vendados
Como escutar gemidos
de ouvidos tapados
Como gritar na noite
de boca amordaçada
Como cortar a garganta
se cegou a lâmina

O que fazer, poeta,
se nada há a dizer
O que escrever, poeta,
se o início,
que era verbo, faltou

Onde se lançar
com tantos abismos
Onde mergulhar
em meio a tantos mares
Onde sucumbir
ante tantos olhares
Onde se reerguer
com todo este peso

É o bicho-homem
A mulher-vampiro
Sangue degustado
Pele tão curtida
Soro em cada veia
De tubos PVC
Canos de descarga
Vasos sanitários
Pias batismais
Papéis higiênicos
Livros sagrados
Travesseiros sujos
Lençóis encardidos
Manchas de esperma
Vertiginosa vida
Loucuras deste mundo
Ressacas dessas praias
De bocas que vomitam.


Veja também:
"Profano" conquista corações
Beleza e caos: Arte em toda parte


Esta poesia foi publicada originalmente neste blog no dia 20 de janeiro de 2012. Ela estará em um livro ainda a ser publicado, com título provisório de "Evangelho Século XXI".
Poesia é transbordamento. E não serve pra nada, serve pra tudo.


Veja também:
A brutal delicadeza de Kieslowski
Pelas ruas do meu bairro
Poesia cantada: Salvação e perdição
"Sutilezas", amor, paixão e surpresas

terça-feira, 22 de agosto de 2023

NAU POESIA: TEXTURA

Foto: Julia Khalimova
As mãos ásperas,
rudes, espessas
da brutalidade,
da ignorância,
da insensibilidade
podem tocar
a tez mais lisa,
suave, macia
que nada terão
além de
aspereza,
rudeza,
espessura.

Pode ser
a pele de um belo rosto,
a casca de uma suculenta fruta,
a pétala de uma colorida flor,
que esses dedos grosseiros
jamais acariciarão
a sublimação do belo rosto,
o sumo da suculenta fruta,
a fragrância da colorida flor.
Nem a fragrância do belo
a sublimação do suco,
o sumo da cor.

Só a mãos encantadas
será permitido acariciar
o sumo do belo,
a fragrância do suco,
a sublimação da cor,
a beleza da cor,
a fragrância do sumo,
a cor do suco,
a sublimação da fragrância,
a cor da beleza,
o suco da cor,
o suco da beleza,
o sumo, a fragrância, a sublimação.

Veja também:
Nau Poesia: Tecelã Natureza
Poesia cantada: Que me diz você?



Esta poesia foi publicada originalmente neste blog no dia 9 de abril de 2014, mas, posteriormente, arquivada. Ela faz parte do ebook "Cor própria (1984-1999)", lançado de forma independente em 2022. O livro digital pode ser adquirido na
Amazon do Brasil e de mais 12 países (EUA, Grã-Bretanha, Alemanha, Itália, Espanha, França, Holanda, México, Canadá, Índia, Japão e Austrália).
Lembre-se: Poesia não serve pra nada, Poesia serve pra tudo!



Veja também:
Nau Poesia: Amores
Nau Poesia: Espiral do tempo
"Cor própria", o primeiro que veio a ser o quinto

quinta-feira, 17 de agosto de 2023

NAU POESIA: AVE DE RAPINA

 Atire-se à vida
como ave de rapina
em busca de alimento
Salte no vão do abismo
resoluto, destemido, indomável
com as colossais asas
se alargando e contraindo
em movimento ritmado
Lançando no ar
a melodia do encanto
e do espanto
Criando novos vendavais
que uivarão feito lobos
em noites de lua cheia
Novas brisas
que gemerão como lobas
em dias de cio.


Veja também:
Sábado mágico com o Mutante Sérgio Dias
A Cruzada das Crianças no Lamascast


Esta poesia foi publicada originalmente neste blog em 29 de julho de 2008. Ela fará parte de um livro ainda a ser editado, chamado "Evangelho Século XXI". 
Lembre-se: Poesia não serve pra nada, Poesia serve pra tudo.

Veja também:
Nau Poesia: Pássaro de asas longas
Nau Poesia: A ignorância instruída



terça-feira, 15 de agosto de 2023

NAU POESIA: NOVOS RUMOS, NOVOS TEMPOS

Foto: Eduardo Lamas Neiva

É tua arrogância
que joga tua
autoestima ao chão
E é do chão que renascerás
Dos dissabores
provarás novos sabores
Teu mau humor
te tornarás muito amor
Tua saudade
trará a proximidade
que apagará o passado
e esquecerá do futuro
para lhe dar dia após dia,
de lembrança, o presente
Tua solidão
te ensinará a caminhar
Tua humilhação
te dará humildade
Do teu sofrimento
surgirá a fortaleza
E em meio às lágrimas
esboçarás o sorriso,
pois que da partida
anteverá o retorno
ou a chegada de algo novo
em tempo algum experimentado
Já a meio caminho andado
farás das perdas
grandes conquistas
e pinçarás de
cada dificuldade
vislumbre, oportunidade
de pegar com a mão
o que lhe arremessaram
e fundar a pedra fundamental
da tua morada
de luz e (teu) silêncio
do teu reinado sem tirania
Pois é no teu horizonte
que despontarão
os novos rumos
os novos tempos
de reconciliação e paz.

Veja também:
O fim da evolução
Um sonho chamado Kurosawa

Esta poesia, ainda não registrada em qualquer livro meu disponível no mercado, foi publicada originalmente em novembro de 2022 na coluna que assinei no portal Mais PB, de janeiro do ano passado a fevereiro deste ano.
Poesia não serve pra nada, poesia serve pra tudo.

Veja também:
Um tanto de grandeza e muito de coragem
"Sutilezas", amor, paixão e surpresas
Nau poesia: Amores

sábado, 12 de agosto de 2023

OLHARES ALHURES - FOTOS #120: PRAIA DA PONTA DO LEAL

 







Fotos de Eduardo Lamas Neiva, feitas no dia 5 de agosto de 2023, do bar Siri na Lata, na Praia da Ponta do Leal, no bairro de Balneário, Florianópolis (SC).

Veja também:
Olhares Alhures - Fotos #33: Praia do Abraão 
Olhares Alhures - Fotos #22: Ibitipoca
Esquizofrenia
É preciso respeitar a dor do Universo

quinta-feira, 10 de agosto de 2023

AS VELHAS SENHORAS DO CAMPO DE SANT'ANNA

Foto: Marcus Cinelli
Há certas imagens, passagens, que ficariam mais bem representadas em um quadro. Mas, como não possuo a mínima aptidão para artes plásticas, desafio-me a descrevê-las com palavras. Sim, palavras, este instrumento fascinante e ao mesmo tempo amedrontador que ouso manipular para expressar meus sentimentos-pensamentos.

É muito difícil, mas também - repito - instigador refletir, não como um espelho cristalino e sim como a superfície de um lago turvo, o fascínio que as velhas árvores do Campo de Sant'Anna me exercem. Curioso é que, mesmo tendo passado várias vezes por dentro desse verdadeiro oásis incrustado no centro de um inferno de buzinas, motores e canos de descarga, jamais as havia percebido.

Somente ontem, na hora em que o céu começava lentamente a cerrar seu imenso olho azul, é que reparei. Os portões do Campo de Sant'Anna já estavam fechados e, passando por fora, circundando o grande parque, estava eu a admirar a elegância de seus gatos e a simpática deselegância das cutias nos hiatos entre um balaústre de ferro e outro do gradeado que o cerca. 

Tal qual "una película" - efeito produzido pelo ligeiro passar dos balaústres - vi aquelas velhas senhoras conversando. Recordei-me logo de uma gravura de Dali em que o corpo de uma jovem e bela mulher se funde ao de uma árvore igualmente jovem e bela.

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As velhas árvores do Campo de Sant'Anna são como camponesas perdidas no meio da metrópole: estranhas, magras, descalças, de tez flácida e enrugada e com longas madeixas desgrenhadas. Nada assustador, embora possa parecer se assim descrevo. Elas possuem um porte altivo, trejeitos de damas. Parece que ao longo do tempo foram ficando mais belas, com seus troncos pelancudos, seus cipós a adorná-las, suas folhagens esteticamente desarrumadas.

As solitárias árvores do Campo de Sant'Anna estão lá como "las madres de la Plaza de Mayo": circundando a praça, solitárias, solidárias e belas. Só que ninguém percebe - ou finge não perceber - pois do lado de fora se respira fumaça para se chegar mais rapidamente a lugar algum. No entanto, as velhas árvores não se importam: há belos gramados, lago e bancos para sombrear, e elegantes gatos e desengonçadas cutias para proteger.

Este texto foi o vencedor na categoria Destaque especial (crônica) do Prêmio Palavra do Séc. XXI de 2001, de Cruz do Sul (RS), e havia sido publicado neste blog originalmente no dia 24 de março de 2008.


Obs.: a expressão "sentimentos-pensamentos" usada no fim do primeiro parágrafo já há muitos anos substituí por "pensentimentos".

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terça-feira, 8 de agosto de 2023

OLHARES ALHURES - FOTOS #119: INUSITADO

Em poucos dias, entre o fim de julho e o início de agosto, me deparei com cenas inusitadas ao meu redor aqui em Florianópolis que não pude deixar de registrar com meu celular velho de guerra. E, por tão curiosas, estranhas cenas e até engraçadas, resolvi trazer aqui para a série Olhares Alhures e, pela primeira vez, fazer um texto introdutório. Mas não vou descrevê-las, porque acho que seria como explicar a piada, certo? Outra decisão foi voltar a dar um título para elas, algo que havia parado de fazer, limitando-me ao número da postagem da série. Considerei, afinal, que este inusitado do cotidiano merecia. Concorda?




Fotos de Eduardo Lamas Neiva, feitas nos dias 28 de julho e 5 e 7 de agosto de 2023, nos bairros do Balneário e Estreito, em Florianópolis (SC). 

Veja também:
Olhares Alhures - Fotos #83: Chuva Noir
Olhares Alhures - Fotos #78: Brinquedos de ferro
A "arte transgressora"

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

JOGO DE RECORDAÇÃO 5: FLAMENGO X OLIMPIA

A foto não está lá grande coisa, parece Zico arrematando contra o gol do Olimpia, na partida de 1981,
 disputada no Maracanã. Foto retirada do site Trivela, provavelmente uma reprodução de algum jornal

Para ser bem sincero, não traz lá grandes recordações, mas como o Flamengo voltará a enfrentar o Olimpia, do Paraguai, nesta quinta-feira, pelas oitavas de final da Taça Libertadores da América, não pude deixar de me lembrar do jogo entre as duas equipes a que assisti no velho Maracanã, em 1981. Daquela vez, a partida foi válida pela primeira fase da competição e apenas um time se classificava para a fase seguinte. Além de Olimpia, estavam também no grupo Cerro Porteño, também do Paraguai, e Atlético-MG, que foi desclassificado pelo time rubro-negro naquele mal afamado jogo extra em Goiânia, mas este é assunto para outra ocasião.

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O Olimpia sempre foi um adversário muito difícil de ser batido e, naquele ano de 1981, histórico para todos os torcedores do Flamengo, não foi diferente. Houve empate nos dois jogos, no Rio de Janeiro (1 a 1) e em Assunção (0 a 0), e é sobre o jogo no Maracanã, realizado 4 dias após meu aniversário de 15 anos, que escrevo aqui até para me lembrar mais do que aconteceu naquela noite, pois quase já não trago na memória lances, curiosidades e como foi aquela partida. Portanto, recorro à pesquisa da ficha técnica que possuo anotada em meu caderninho (foto ao fim deste parágrafo) e o vídeo com os gols do jogo (com imagem nada boa, aliás, você verá lá embaixo).

Foto do ingresso do jogo de 81 de minha coleção

E a pesquisa me traz a informação de que aquela partida, disputada curiosamente numa sexta-feira à noite, foi a estreia de Paulo César Carpegiani no comando técnico do Flamengo , em substituição a Dino Sani. Isso apenas dois meses depois da última partida oficial de Carpegiani como jogador rubro-negro: no dia 31 de maio, no empate em 1 a 1 com o Bangu, em jogo válido pela Taça Guanabara de 81. Também estive presente naquela partida, na geral do velho Maraca (provavelmente subi para a arquibancada durante o intervalo).

Aquela foi a primeira Libertadores que o Flamengo disputou, portanto em 1981 foi a primeira vez que os dois times se enfrentaram num jogo pela competição. O torcedor rubro-negro foi ao Maracanã muito confiante, mas a verdade é que apenas dois anos antes o time paraguaio havia conquistado não só sua primeira Taça Libertadores, derrotando o poderoso Boca Juniors na final, como também fora o vencedor do Mundial Interclubes, ao vencer duas vezes (1 a 0 e 2 a 1) o Malmöe, da Suécia, na última vez em que a competição foi disputada em jogos de ida e volta.

Porém, apesar deste histórico recente muito bom e os dois empates com aquele que acabaria sendo o campeão daquele ano, o Olimpia ficou em último lugar na chave, sem vencer uma partida sequer, empatando quatro e perdendo dois jogos. Mas dificultou muito a vida do Flamengo, que se tivesse vencido um dos dois jogos contra o rival paraguaio não precisaria do tal jogo-extra no Serra Dourada que nunca chegaria nem perto do fim dos 90 minutos regulamentares.


FICHA TÉCNICA
FLAMENGO 1 X 1 OLIMPIA
TAÇA LIBERTADORES DA AMÉRICA
Data: 24/7/1981 (sexta-feira)
Árbitro: Abel Gneco (Argentina)
Renda: Cr$ 8.693.350,00 - Público: 38.718 pagantes.
Gols: Adílio, aos 22 minutos do primeiro tempo, e Solalinde, aos 15 da etapa final.
Cartões amarelos: Baroninho, Benítez e Aquino.
Flamengo: Cantarele; Leandro, Figueiredo, Marinho (Rondinelli) e Júnior; Vítor, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Baroninho (Carlos Alberto). Técnico: Paulo César Carpegiani.
Olimpia: Almeida; Solalinde, Paredes, Delgado e Giudice; Guash, Benítez e Verza (Aquino); Isasi, Fernández (Davallos) e Ortíz. Técnico: Roque Fernández.

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segunda-feira, 24 de julho de 2023

NAU POESIA: A DANÇA DA CHUVA *

A chuva dança lentamente
e encharca o quintal,
a terra, as telhas, as árvores

As folhas arqueiam
sob o peso de gotas
que se aglomeram
– para cair –
em outras folhas,
as mãos em concha
abarcando com sorrisos
aquela água abençoada dos céus
que sempre lhes escapa

Os galhos são prolongamentos
do dorso nu e suado
deste frondoso vegetal,
são braços estendidos
pousados no ar tentando tocar
em algo inatingível, incompreensível
como se encontrassem extenuados
de um esforço aparentemente inútil.

Percorrem-lhes pingos de suor de chuva
que despencam pouco a pouco
tal qual loucos suicidas
lançando-se na incerteza da queda,
perdidos num vão aberto no espaço
que tanto pode ser uma pequena fenda
quanto um imenso rasgo no infinito

Porém, na certeza de que
jamais retornarão à plataforma
de onde saltaram
pois serão sugados pela terra
enquanto outros tomarão seus lugares...

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Esta poesia, publicada originalmente neste blog em 18 de setembro de 2008, faz parte de "Profano Coração", livro de estreia do jornalista e escritor Eduardo Lamas Neiva, com ilustrações de Sóter França Júnior. 

Caso você deseje adquirir o seu e ler outras poesias, ele está à venda na versão digital (ebook) na Amazon do Brasil e de mais 13 países. Clique aqui ou na capa do livro ao lado para comprar o seu ebook

Atenção: não adquira o livro em outra loja que não seja a Amazon, pois você, o autor e o ilustrador serão vítimas de (mais) uma fraude. 

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sexta-feira, 21 de julho de 2023

"COMENDO A BOLA" DEBATE VIOLÊNCIA E MORTE NO FUTEBOL

Pela segunda vez convidado para participar do programa "Comendo a Bola" senti-me convocado e não hesitei em aceitar. Até porque o tema proposto era bastante sério, infelizmente ainda atual e importantíssimo: violência e morte no futebol. Nelson Rodrigues certa vez disse ou escreveu, não me recordo agora, que o primeiro homem na face da Terra ao avistar seu semelhante pela primeira vez logo o reconheceu como seu inimigo. E a História da Humanidade não desmente o gênio: vivemos às turras, desde sempre.

Da esquerda para a direita: Mauricio Capellari, Carlos Falkoski, Rodrigo Titericz e eu durante a gravação do "Comendo a Bola" sobre "Violência e Morte no Futebol". Foto: Anderson Duarte 

Das rusguinhas às sérias ofensas, hoje repletas nas redes sociais, indo às vias de fato das formas mais cruéis e violentas - as guerras estão aí para não nos deixar mentir - o ser humano não consegue minimamente se respeitar, respeitar diferenças, debater, divergir, sem agredir. Raros e raras são aqueles e aquelas que contrariam a regra. E o futebol, claro, não fica fora deste contexto.

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E é bom que se ressalte, não só no Brasil, mas aqui parece que a condescendência e a hipocrisia são maiores, e agressores dentro, no entorno ou mesmo longe dos estádios, voltam a frequentar os jogos sem impedimentos e em curto tempo. No programa contei algumas histórias que vivenciei nos estádios que frequentei no Rio de Janeiro, desde os tempos de torcedor, ainda na década de 70, até o período como repórter, já nos 90, para reforçar que o problema vem de longo tempo e pouco ou quase nada foi feito para chegarmos ao atual estágio.

Torcida única, na minha opinião, é a assinatura oficial da incompetência de Estado, clubes, federações, CBF, segurança pública e sociedade. Um paliativo que nada resolve. Além disso, para mim, é a morte do futebol, o que já ocorre em São Paulo e em outros locais. 

Assista abaixo ou no canal "Comendo a Bola" no YouTube (clique aqui), o debate "Violência e Morte no Futebol", do qual tive mais uma vez o privilégio de participar com Mauricio Capellari, Carlos Eduardo Falkoski e Rodrigo Titericz e dê sua opinião. 


terça-feira, 18 de julho de 2023

NAU POESIA: NOITE CLARA DA ALMA *

"Conhece a ti mesmo"


Estive à beira da vida
ao largo, à margem
desejando pertencer, penetrar
seduzindo a dona da festa
pra ser convidado,
mas sempre batia
com a cara na porta, barrado
E segui ao largo, à margem
na noite escura da alma

Pela estrada que a lua cheia
me apontava e eu não enxergava
via e não via na via da vida
seguia e seguia,
pelo acostamento

Agora cá estou na via da vida
iluminada, via da alma
clara vida, clara alma
alumiada alma
sem pressa de ir ou chegar
com calma, na estrada
seguindo pela noite clara da alma.

Capa do ebook "Sutilezas"
Embora seja atribuída ao filósofo Sócrates, a frase "Conhece-te a ti mesmo" é a inscrição na entrada do Oráculo de Delfos. A ilustração é da carta 9 do Tarô, O Eremita.

Gostou? "Noite clara da alma" e outras poesias mais estão no ebook "Sutilezas", que você pode adquirir na Amazon do Brasil e de mais 13 países.

*  Esta poesia foi publicada neste blog originalmente em 21 de outubro de 2013.

Veja também:
Esperar pelo sol
Amores
Sutilezas: amor, paixão e surpresas

domingo, 16 de julho de 2023

LIVRO PRA VIAGEM: A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER

Meu livro desgastado pelo tempo

Chegou a hora de reler, foi o pensamento abrupto que me veio outro dia de manhã, enquanto lavava a louça. A notícia da morte de Milan Kundera, divulgada esta semana por veículos de comunicação de boa parte do mundo, até me pegou de surpresa, pois não ouvia falar do escritor tcheco há muitos anos, há décadas.

Como fora há muitos anos, décadas, que assisti ao filme no cinema e um bom tempo depois comprei o livro numa banca de jornais do Rio de Janeiro e o li, com prazer. Deve ser desde esta época que nada sabia sobre o autor.

Veja também:
A grandiosidade de Victor Hugo
Nise da Silveira: o afeto e a arte como poder

Diz o obituário de Kundera que o escritor não gostava da adaptação de seu livro de maior sucesso para o cinema: achou simplista demais. Porém, aquela história do neurocirurgião Tomás e seus questionamentos e muitos conflitos sobre o amor, o casamento e o sexo que se passa durante a Primavera de Praga, rapidamente encerrada com a invasão da União Soviética (isso lembra algo recente por aqueles lados do planeta, né!?) me agradou quando a vi no cinema. Talvez se tivesse lido o livro antes, a minha opinião fosse a mesma de Kundera. Quem sabe?

Só sei que, assim que terminar um dos dois livros que leio atualmente ("O poder do agora", de Eckhart Tolle, e a biografia do baterista do The Who "Keith Moon: a vida e a morte de uma lenda do rock", de Tony Fletcher), pegarei de novo "A insustentável leveza do ser" para ler. Até como uma homenagem a Milan Kundera, que além deste ótimo livro, me deu a ideia de criar mais esta série aqui no blog.

Veja também:
Mãe exalta o amor em "O filho de mil homens"
"O negro crepúsculo", um livro muito bem recomendado
Lamascast: Ao mestre Saramago
"Velhos conhecidos", uma peça em ebook

sexta-feira, 14 de julho de 2023

"COMENDO A BOLA" PELAS BEIRADAS

 

Da esq. pra direita: Mauricio Capellari, Carlos Falkoski, Rodrigo Titericz e eu. Foto: Anderson Duarte

A convite de Mauricio Capellari, participei no último dia 4 da gravação do programa "Comendo a Bola", apresentado por ele e que conta também com Carlos Falkoski, o Professor, e Rodrigo Titericz, o Presidente. O debate foi sobre a unificação dos títulos nacionais de futebol e o episódio 39 já está disponível a quem quiser assistir e participar do sorteio de um exemplar autografado do livro "Contos da Bola". 

Veja também:

Este tema eu já havia abordado aqui neste blog, ainda no início de 2010, quando havia já uma movimentação dos clubes pelo reconhecimento das conquistas da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, como Campeonato Brasileiro, mas a CBF ainda não tinha decidido o que fazer. Clique aqui e leia o que escrevi em 2010, com recente atualização do texto e da lista de campeões.

O papo foi muito bacana, houve um entrosamento rápido e me senti muito à vontade. Participei ainda do quadro "VAR retrô", uma ideia espetacular do trio titular do programa, sobre um lance que ocorreu na final do Campeonato Brasileiro de 1974, entre Vasco e Cruzeiro. 

Acabei sendo novamente convidado a retornar nesta quarta-feira, dia 12, para o episódio 40, para tratar de um assunto muito sério e importantíssimo que detalharei na próxima semana quando ele for ao ar, no dia do meu aniversário. Você sabe quando é?

Assista abaixo o "Comendo a Bola 39" e deixa sua curtida lá na página do programa no Youtube até o dia 19 de julho, próxima quarta-feira, para participar do sorteio. 

Veja também:
Alguns jogos que faço questão de recordar
Das peladas de rua às arenas
Setenta vezes Maracanã
Papo no "Geraldinos de Arena"

quarta-feira, 5 de julho de 2023

LEIS DO RELATIVISMO

E cá estamos nós mudando pouco para nada mudar. No fim e no fundo de tudo dessa diária e insana guerrilha político-social, oportunistas e fanatizados de direita relativizam as tiranias mais sangrentas de direita, e oportunistas e fanatizados de esquerda relativizam as tiranias mais sangrentas de esquerda. Todos, repletos de emoções, a querer deter a razão, porque ela só pertence a eles, os do lado de lá estão no reflexo do espelho, embora ninguém perceba ou vire a cara para não ver. Eis as leis do relativismo.

Olhar-se, perceber-se, sentir-se, questionar-se? Jamais, em tempo algum. Sartre já dizia, virou até clichê, muito mais por ser tão pouco ou mal praticado: "O inferno são os outros".

E seguimos rastejando como sociedade, moribunda, malfazeja e andrajosa, com a gritaria na ordem do dia, da tarde, da noite e da madrugada, quando o quase silêncio permite que se propaguem com mais facilidade as suas mini e maxi certezas embriagadamente (não necessariamente de entorpecentes ou álcool, há drogas de todos os tipos para mentes e corações fragilizados e ingênuos, mesmo que travestidos de fortes e antenados). 

O mundo, em particular aqui mesmo onde vivemos, vai assim se tornando uma incomensurável rede social emaranhada de gente cega, surda e tagarela. Uma lástima completa. 

"A spider wanders aimlessly within the warmth of a shadow
Not the regal creature of border caves
But the poor, misguided, directionless familiar
Of some obscure Scottish poet"
(Bitter suite, de Derek William Dick, mais conhecido como Fish)

"Que grande sombra
nos impede de ver,
Que grande força
nos impele a obedecer,
Que gigantesca teia
nos aprisiona
sem que se possa perceber?"
(A teia, de Eduardo Lamas Neiva)


UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #48

Uma coisa jogada com música - Capítulo #48 Djalma Santos, Zito, Vicente Feola, Pe...

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