quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

OS 20 ANOS DO MELHOR ROCK IN RIO DE TODOS OS TEMPOS

Visão aérea da Cidade do Rock, em 2001
O início daquele que considero o melhor Rock in Rio de todos os tempos completou ontem 20 anos. Em 12 de janeiro de 2001, a Cidade do Rock original voltava a receber uma edição (a terceira) do festival, 26 anos após a histórica versão de estreia. Embora o de 1985 seja emblemático por todos os motivos do mundo, o melhor de todos para mim foi o de 2001. E por diversas razões, além das puramente musicais (nem tão puras assim, aliás). A idéia de se fazer um palco chamado Brasil, com feras brasileiras de primeira linha, muitas imensamente maiores que alguns dos artistas que estiveram no palco principal, e outro Raízes, foi muito boa.

Pena que o terreno não permitia que houvesse shows simultâneos com o chamado Palco Mundo. O grupo mineiro Uakti, por exemplo, teve de parar a sua esplêndida apresentação, porque um grupo no chamado Palco Mundo começara a tocar e o som mais potente inviabilizava a continuação, apesar dos apelos do público embevecido. Foi a única das 3 edições que pude estar presente todos os dias, pois trabalhava no 2º Caderno do jornal O Fluminense, de Niterói (RJ), e fui designado a escrever um resumão após cada fim de semana, além de enviar algum texto ou informações pontuais durante shows específicos. 

A quantidade de espetaculares, ótimos e bons shows é muito grande. Tive a oportunidade de conhecer alguns grupos e artistas estrangeiros que desconhecia completamente e me fizeram buscar CDs e posteriormente vídeos no YouTube deles ou sobre eles. Foi a primeira (e infelizmente acabou sendo a única) vez que vi o grupo Anima em ação. Na verdade, eles que abriram o festival no palco Raízes, e aproveitei que a galera ainda não tinha chegado em massa para abordá-los após o show e pegar contatos para uma entrevista para o então site Papo Carioca, que fiz pouco tempo depois e reproduzi aqui neste blog.

Neil Young em ação.  Foto: Ivan Gonzalez/Ag. Oglobo
Há tantas histórias incríveis - uma inacreditável - para contar daqueles sete dias (três no primeiro fim de semana e quatro no segundo) que deixarei para outra ocasião, senão isso aqui vira um livro. No Palco Mundo, os showzaços, aços, aços a que assisti foram os seguintes, por ordem cronológica: Barão Vermelho e REM, no dia 13 (sábado); Elba Ramalho e Zé Ramalho, e Neil Young, no dia 20 (sábado). Neil Young é um capítulo à parte, pois com seu grupo Crazy Horse invadiu a madrugada do dia 21 com uma sonzeira inesquecível. Saí de lá querendo ainda mais e, sem dúvida, foi um dos melhores shows que vi na vida.

O Iron Maiden, que se apresentou no dia 19 (sexta), entraria facilmente nesta lista, mas infelizmente tive de deixar a Cidade do Rock pouco antes do show do grupo inglês começar, por causa de uma alucinante dor de ouvido. Acabei assistindo todo o espetáculo pela TV na casa do amigo em que estava hospedado lá pertinho. Eles gravaram um DVD desta apresentação que fez muito sucesso.

Iron Maiden no Rock in Rio 2001: Bruce Dickinson entre os guitarristas Dave Murray e
Adrian Smith. O baixista Steve Harris está ao fundo, de costas. Foto: divulgação

Os ótimos shows foram os de Gilberto Gil, que antes se apresentou com um ainda debilitado Milton Nascimento, que esteve doente na época e foi ajudado também por Lô Borges e a Orquestra Sinfônica Brasileira, e Sting, no dia 12; Cássia Eller, que também tem um DVD daquele dia, no dia 13, e Dave Matthews Band, no dia 20. Kid Abelha e Sheryl Crow, no dia 20, e Capital Inicial, no 21, fizeram bons shows.

Cássia Eller. Foto: Divulgação
Os Palcos Brasil e Raízes muitas vezes tinham shows ocorrendo no mesmo momento, fosse antes da abertura do Palco Mundo ou durante os intervalos, por isso não dava para ver tudo. Porém, revendo a lista dos shows do Palco Brasil, eu me recordo muito bem da apresentação estupenda de Pepeu Gomes e Armandinho, no dia 19, com a galera do heavy metal delirando. No entanto, vejo que perdi ou vi sem me recordar os grandes Luiz Melodia, Sá, Rodrix e Guarabyra e Márcio Montarroyos, que vi extasiado pela primeira vez no Parque da Catacumba nos anos 80.

No Palco Raízes, os melhores foram o já citado Anima, embora prejudicado pelo som muito baixo; Thierry Robin (violonista cigano da Bretanha, França), o iraniano Trio Chemirani (pai e seus dois filhos percussionistas), o grupo irlandês Dervish e o também já mencionado Uakti. Logicamente houve outros excelentes, especialmente os africanos, como acredito que tenha sido o de Carlos Malta e Pife Muderno, mas citei os que me recordo vivamente ainda. 

Fique abaixo com o show completo do Neil Young, até para você achar que exagerei, embora sem o clima do local e da hora que vivi junto a outras milhares de privilegiadas pessoas. Público selecionado, como disse naquele mesmo dia para mim um colega jornalista.
 

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segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

MÚSICA PRA VIAGEM: COMO NOSSOS PAIS

Impossível ouvir esta música com a interpretação magnífica e apaixonada de Elis Regina e não me arrepiar, sentir os olhos inundando pouco a pouco vencendo facilmente aquele velho machismo que se debate, estrebucha e berra de desespero por dentro: "homem não chora!". Ainda não havia escolhido a próxima música para esta série, e até meio esquecido de pensar nisso, quando após assistir a umas entrevistas no YouTube me foi oferecido um vídeo de um professor de voz americano (acho que americano) reagindo a este vídeo aí abaixo. Vi, comovi-me, claro, ainda mais com as reações entusiasmadas dele, e só depois me dei conta que já tinha a 27ª música que nos faz viajar.

Elogiar Elis é chover no molhado. Sim, um clichê para destacar outro. Porém, mais difícil é encontrar palavras que definam o quanto sua voz e emoção ao cantar provoca em quem realmente se conecta com a Arte. Ainda mais quando ela canta "Como nossos pais", uma das muitas inspiradíssimas obras de Belchior, artista que estará aqui muitas vezes, podem cobrar. Com sua alma, Elis recriou a música, que já era - e é - ótima com o seu compositor. É, comparando ao mundo da bola, quando um craque dá um passe espetacular para um gênio, simples assim.

Os versos extraordinários de Belchior ganham uma força estupenda na voz, nos gestos, nos olhares de Elis, é só observar com um pouquinho de atenção a essa apresentação no Fantástico, de 1976. Felizes - e certamente sabiam disso - todos os que tiveram a oportunidade de assistir Elis ao vivo, especialmente naquele espetáculo "Falso Brilhante", com Cesar Camargo Mariano. Infelizmente não tive esta chance, mas não lamento. Eu a ouço repetidas vezes e é como se fosse aqui e agora. Como esta poesia de Belchior, tão atual, tão gritantemente atual, 45 anos depois. 

"Mas é você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem!"...  "Minha dor é perceber que apesar de tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais!".


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quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

DO EXTREMO PERIGO DE SE ALIMENTAR MONSTROS

Foto de Saul LOEB (AF)
Os lamentáveis e trágicos acontecimentos desse já histórico 6 de janeiro de 2021 nos Estados Unidos revelaram mais uma vez o quão pavoroso e extremamente perigoso é confiar em extremistas, delirantes, ignorantes e egocêntricos no poder. Escrevo olhando para o Norte, mas logicamente sem desviar um segundo sequer os olhos de nossa terra. Afinal, temos um macaco de imitação de qualidade ainda mais baixa na Presidência da República. A diferença é que nossas instituições têm demonstrado muita frouxidão, demasiada frouxidão, e o barco está à deriva há tempos. Por muito pouco não tivemos uma invasão ao STF no primeiro semestre do ano passado, é bom ressaltar e ficarmos num só exemplo.

Foto publicada na
BBC News Brasil sem crédito
Não é novidade alguma a mistura do misticismo pseudo-religioso, moralismo hipócrita, com delírios manipuladores baseados nas mais estapafúrdias teorias de conspiração, a invenção de inimigos e consequente perseguição a eles, a disseminação de notícias falsas, um vitimismo travestido de heroísmo, o uso da política e do patriotismo (o último refúgio dos canalhas, como bem disse Samuel Johnson no século XVIII) para fazer de apoiadores fantoches. Porém, estes erros se repetem pela total falta de conhecimento, por desinteresse, preguiça de ler, ouvir, ver, estudar, analisar ou por interesses escusos, falta de caráter mesmo. Esta mesma ignorância, esta mesma preguiça, esta mesma avidez por grana e poder levou um preguiçoso, ignorante e ganancioso ao poder, aqui e lá. E em outros lugares também, tanto à direita, como são os casos citados, quanto à esquerda, é bom que se frise.

Foto de Myke Sena para o site Metrópoles
Não tenho ilusões de que a irresponsabilidade, a inconsequência assassina, do ainda presidente dos Estados Unidos vá despertar para o absurdo em que se encontram corações e mentes dos fiéis cegos seguidores de seu fanático fã brasileiro, que se já fez acusações sem provas de fraude nas eleições que venceu, imagine o que fará quando perder. E manifestou mais uma vez apoio ao seu ídolo, enquanto autoridades do mundo inteiro repudiavam a atitude criminosa dele. No entanto, espero que finalmente nossas instituições saiam da sua sonolência, parem de empurrar com suas protuberantes barrigas a imundície para debaixo dos tapetes e ajam, antes que seja tarde demais.

Na verdade, tarde já é, muito, entretanto ainda há tempo de se tomar as medidas necessárias para se impedir que a inépcia genocida do principal desgovernante deste país deixe morrer mais 200 mil pessoas por causa de um vírus ou ele mesmo contagie de vez sua horda rumo a uma guerra civil, que sempre foi o seu desejo (é só rememorar muitas das suas declarações ao longo de sua desprezível vida na política). Se não agirem logo, não com violência, mas no limite das leis que estão na nossa Constituição, certamente veremos uma tragédia muito maior, não em vídeos e fotos, mas entrando pelas nossas janelas.


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Quando a pátria fica acima de tudo, esmaga também seus adeptos 
Quem Jesus matou?
O sorriso do carrasco
Cheiro de chumbo no ar
Anti-Luther King: a E.E.ra das Trevas

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

MÚSICA PRA VIAGEM: COMPORTAMENTO GERAL

Comportamento Geral vem aqui para protestar contra o culto à ignorância celebrado há décadas no país e a frouxidão de seu povo e suas instituições, que ouvem o zurrar diário do palácio como se fosse a bela voz de um rei. A culpa disso tudo, claro, é de quem escuta zurros em vez de canto, afinal jogar a responsabilidade para os outros é a "arminha" que os incompetentes, ignorantes, indolentes, pilantras exibem para tentar disfarçar sua incompetência, ignorância, indolência, pilantragem. 

Mas Gonzaguinha é muito maior que estas miudezas e mediocridades. E compôs e gravou outras lindas músicas e letras, que certamente estarão aqui em outras oportunidades, seja com ele cantando ou outro(a) grande artista. O que impressiona especialmente em Comportamento Geral é que ela foi lançada originalmente num compacto simples, em 1972, e parece que (tirando a citação ao fuscão) vai ficando cada vez mais atual. 

Infelizmente, Gonzaguinha faleceu muito novo (com 45 anos de idade), num acidente de carro, em uma estrada do Paraná, em 1991, após uma apresentação na cidade de Pato Branco, onde acho que pus um pé (ou quase) em janeiro do ano passado, quando fui a São Lourenço do Oeste (SC), município vizinho.

Na única oportunidade que tive de vê-lo ao vivo, acredito que uns dez anos antes da sua despedida dos palcos da vida, foi no ginásio Hugo Padula, do Grajaú Country Club. No entanto, ele se sentiu mal nas primeiras músicas e deixou o palco sem nem chegar perto da metade do show. Lembro-me sempre disso quando ouço suas músicas e agradeço por elas se eternizarem em mim e em tanta, tanta gente.

Comportamento Geral

Você deve notar que não tem mais tutu
E dizer que não está preocupado
Você deve lutar pela xepa da feira
E dizer que está recompensado

Você deve estampar sempre um ar de alegria
E dizer: tudo tem melhorado
Você deve rezar pelo bem do patrão
E esquecer que está desempregado

Você merece
Você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba e amanhã, seu Zé
Se acabarem teu carnaval

Você merece
Você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba e amanhã, seu Zé
Se acabarem teu carnaval

Você deve aprender a baixar a cabeça
E dizer sempre: muito obrigado
São palavras que ainda te deixam dizer
Por ser homem bem disciplinado

Deve pois só fazer pelo bem da nação
Tudo aquilo que for ordenado
Pra ganhar um fuscão no juízo final
E diploma de bem-comportado

Você merece
Você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba e amanhã seu Zé
Se acabarem teu carnaval

Mas você merece
Você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba e amanhã seu Zé
Se acabarem com teu carnaval

Você, você merece
Você merece
Tudo vai bem, tudo legal
E um fuscão no juízo final

Você merece
E diploma de bem-comportado
Você merece
Você merece
Se esqueça que está desempregado
Você merece
Você...
Tudo vai bem, tudo legal
Que maravilha


terça-feira, 5 de janeiro de 2021

MÚSICA PRA VIAGEM: FOOL'S OVERTURE

Falar de Supertramp é retornar à minha adolescência. Foi certamente o grupo daquele período da minha vida. Ouvi "Paris" (1980) e os outros LPs que comprei a seguir tantas vezes que não dá nem para ter idéia de quantas foram. O duplo ao vivo na capital francesa, então, nem se fala. Mas "Even in the quietest moments" (1977), talvez o mais melancólico do grupo inglês, seja o que mais gosto de todos os de estúdio, incluindo "Crime of the Century" (1974), que tem 7 de suas 8 músicas no "Paris". E é no disco de 1977, cuja a música título é belíssima também, que está a épica "Fool's Overture".

A viagem sonora da parte instrumental e dos vocais de Roger Hodgson, seu verdadeiro compositor, e Rick Davies, seu coautor oficial, me conquistou de primeira, quando ouvi o duplo ao vivo na casa de um amigo. Já contei esta história em outra postagem e o link vai lá embaixo.

Veja também:

Mas o que importa é o "Prelúdio do Louco" que pretendo tratar aqui. Longa para os padrões radiofônicos, ela pouco apareceu em emissoras de rádio e TV, como "Dreamer", Give little bit", "The Logical Song", "Take the long way home", "It's rainning again" etc. No entanto, qualquer fã do Supertramp, e mesmo aqueles que nem são tão fãs, mas apreciam uma ótima música, com uma letra bem feita e curiosa, que fica entre o filosófico e o irônico, não pode ignorá-la. Muito pelo contrário, especialmente pela interpretação de Hodgson, com sua voz marcante.

Sem mais muito papo, então, aí vão duas versões de "Fool's overture": a original, em estúdio, e ao vivo, em Paris, com a letra no segundo vídeo.


sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

MÚSICA PRA VIAGEM: ESTRELA SOLITÁRIA

A maior prova de que o projeto Jogada de Música não abandonará a batalha e prossegue na disputa por seu lugar no campo da Cultura brasileira é esta belíssima música: "Estrela Solitária", de Zécarlos Ribeiro, gravada pelo grupo Rumo em 2018. Por quê, você pode estar se perguntando. Porque a descobri tem poucos dias durante a ótima programação da Rádio Devaneio, do meu amigo Luiz Antônio Mello, e não me furtei a colocá-la no extenso material de pesquisa de Jogada de Música.

O Rumo é um histórico grupo da Vanguarda Paulista, movimento que reuniu na Lira Paulistana nomes como Itamar Assumpção, Arrigo Barnabé, Premeditando o Breque (posteriormente Premê), entre outros, a partir do fim dos anos 70. Formado pelos irmãos Paulo e Luiz Tatit reúne outras tantas feras em seu timaço, entre elas a cantora Ná Ozetti, que tem ao menos uma outra música intimamente relacionada ao futebol em seu currículo, como por exemplo, a que Zé Miguel Wisnick fez em homenagem ao Doutor Sócrates.

Porém, o papo aqui é "Estrela Solitária", uma inspiradíssima obra que viaja do tempo-espaço, da imensidão do céu e do mar à leveza dos dribles de Mané Garrincha, ludibriando a Lei da gravidade, "iluminando o Maracanã". "A bola é a Terra/ A bola é o Sol/ A bola é a Lua/ A bola é gol". 

Deleitem-se, isto aqui é Música!  

Veja também:
Na dança de "Dinam-Nietzsche"
Cia Dos à Deux, a poesia do corpo
Entressafra
Pesadelos
"O rio" entrelaçado à "Sequidão"

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

MÚSICA PRA VIAGEM: SAPATO VELHO

O falecimento há poucos dias do cantor Paulinho, do Roupa Nova, levou minha mente em viagem de volta à minha adolescência e às festinhas de amigos e colegas do colégio, no início dos anos 80. Os dois primeiros discos do Roupa eram presença certa em todas elas. Não tenho certeza se "Sapato Velho" era muito executada nas festas, mas como na mesma época as FMs a tocavam sem parar, tudo pertence ao mesmo tempo e lugar. 

Esta música de Mú Carvalho (Cor do Som), Cláudio Nucci (ex-Boca Livre) e Paulinho Tapajós é uma das minhas prediletas. Ela fez parte do disco de estréia do Roupa Nova e gosto muito deste e dos dois posteriores da banda. Depois disso ficaram românticos demais para o meu gosto e me desinteressei. Antes, porém, fui a muitos shows deles, principalmente no ginásio Hugo Padula, do Grajaú Country Club.

Com amigos e meu irmão, já nos meus tempos da faculdade de Jornalismo (na infelizmente falecida Gama Filho), fomos à casa do guitarrista Kiko, que morava na época (1986, 87) em Bonsucesso, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro em que nasci, para fazer uma entrevista que não seria publicada em lugar algum. Pouco depois fomos a um show do Roupa no Canecão e, como já conhecíamos o Kiko, conseguimos ir ao camarim depois da apresentação e conhecer os outros cinco integrantes. Curiosamente, dois deles (Ricardo Feghali e, creio que, Nando) moravam no Grajaú, onde vivi de 1971 a 93 e depois de 2006 a 19, mas nunca os vi no bairro.

Outra curiosidade é que durante os anos 80 diziam que o nome do grupo havia sido dado por Milton Nascimento, por causa da música de mesmo nome. Mas isso foi desmentido posteriormente pelo próprio grupo. Bom, enquanto o Paulinho se encaminha para a Luz no Mundo Espiritual, aqui os fãs do Roupa Nova continuarão a se recordar dele com muito carinho e saudade. Em homenagem a ele, aos simpáticos integrantes do grupo e aos seus admiradores, a bela "Sapato Velho" no vídeo abaixo.


segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

MAIS UM TEXTO SELECIONADO ÀS VÉSPERAS DO FIM DESTE DURO ANO

Após anos e anos de muitos nãos e indiferença, pouco a pouco os raros - e por mim agradecidos - sins e o reconhecimento, começam a chegar com mais freqüência. Depois da seleção do conto "A foto" para a coletânea "Lascívia" e a bem-sucedida campanha de financiamento coletivo para o relançamento de "Contos da Bola", ambos da Cartola Editora, agora uma crônica de minha autoria foi escolhido para fazer parte de um livro. Recebi ontem por email a notícia de que "O jogo das intenções" estará entre os 30 textos da obra "Crônicas da Quarentena", da Mirenax Produções.

Este era um esboço guardado há muitos anos que retomei, diante da necessidade de inscrever algo inédito, para trazê-lo aos sombrios dias e noites deste 2020. É uma crônica com um certo jeito de conto, as imagens se confundem um pouco, afinal as intenções não estão lotando só infernos pessoais e coletivos, mas os mais discretos atos e pensamentos do nosso dia-a-dia. É preciso um olhar mais atento para as belezas do mundo, muitas delas nos mais simples e mínimos detalhes.

Além dessas boas novas, há outros movimentos sendo feitos nos bastidores graças a um sim que encerrará um jejum de 18 anos e um convite que me deixaram muito feliz. Em breve, poderei divulgá-los. E aos que carinhosamente perguntaram sobre o projeto Jogada de Música, ele está no vestiário e voltará para a segunda etapa, renovado, com muito mais força do que na etapa inicial, que teve a duração de cinco anos e a ajuda de vários parceiros, aos quais devo muita gratidão.

E assim vai chegando ao fim mais um ano, que para muitos não existiu, mas que para mim foi intenso, de muito trabalho (profissional e interno). Resiliência pode ser a palavra para resumir estes 12 meses que vão findando. Amigos e conhecidos se foram pela Covid, mas por outro lado muitos se recuperaram, inclusive minha mãe, e outros tantos estão se recuperando. Na fé e na vontade, tenho certeza de que faremos merecer um 2021 muito melhor, apesar... Não, não vou sujar este texto. 

Feliz Natal e um Ano Novo repleto de Saúde, Paz e Prosperidade.

Veja também:
"Sutilezs": amor, paixão e surpresas
"O negro crepúsculo", um trabalho de 11 anos
"Profano coração" está de volta

sábado, 19 de dezembro de 2020

MÚSICA PRA VIAGEM: LASCIA CH'IO PIANGA

Os estupendos e dolorosos primeiros minutos do filme "Anticristo", do dinamarquês Lars Von Trier, é ilustrado por este trecho da ópera "Rinaldo", de Händel, música que você não consegue separar das imagens (em PB e câmera lenta). É uma obra-prima para ficar registrada eternamente na memória do cinema. Revi este filme, nada fácil de se assistir, há poucos dias e logo me impus a necessidade de colocá-la aqui nesta série que promete ser longa, bem longa e agradável, pelo menos para mim.

Apesar de algumas infelizes declarações e posições, Lars Von Trier é um dos grandes cineastas de todos os tempos. Pelo menos para mim é. E ele conquistou minha admiração logo no primeiro filme que vi dele: "Dogville". Depois vi outros tantos, mas o papo aqui não é cinema, é música, esta maravilha chamada "Lascia ch'io pianga". 

Não tive o cuidado de ver nos créditos, nem a curiosidade de pesquisar quem canta e que orquestra toca esta obra na gravação que está no filme, que tem o grande Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg em sublimes e contundentes atuações. Preferi acreditar que é esta aí abaixo, com Patricia Petibon e a Orquestra Barroca de Veneza. Vá, veja, ouça, e deixe-me chorar.


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quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

MINHA PRIMEIRA COPA DO MUNDO

A primeira Copa nenhum fã de futebol esquece. Parodiando o bordão de uma velha propaganda de sutiã, um clichê surrado, dou o início a esta peleja (que espero seja) amistosa para falar daquela que foi a Copa do Mundo que assisti quase integralmente pela primeira vez, a de 1974. Quatro anos antes, quando a seleção brasileira apresentou um exuberante futebol e conquistou o tricampeonato mundial, tinha eu de 3 para 4 anos e pouco entendi do que se passava na TV com imagens em preto e branco que tínhamos em casa, embora tenha me metido a fazer comentários na sala para convidados dos meus pais em jogo que não faço a menor idéia de qual foi.

E foi mesmo inesquecível aquele Mundial realizado na Alemanha Ocidental, por diversos motivos, e - ressalte-se - não só para mim, claro. Eu começara a esboçar minha ligação íntima com o futebol em 1973, não só acompanhando meu time do coração, o Flamengo, como já a seleção. Lembro-me bem de ter assistido na casa de um amigo que faria aniversário no dia seguinte ao amistoso em que o Brasil venceu a anfitriã da Copa do ano seguinte, por 1 a 0, em 16 de junho de 1973, com um gol de Dirceu, então ponta-esquerda do Botafogo.

Mas o que me maravilhou mesmo naquela Copa foi um time de laranja, já que Seu Zagallo pôs o Brasil numa retranca tão ferrenha que quase tira a seleção na primeira fase. Não fosse um chute improvável de Valdomiro e o goleirão frangueiro do Zaire... Mas foi Cruyff, Kroll, Neeskens, Rep e cia que fizeram minha cabeça e ajudaram muito a moldar o meu gosto pelo futebol bem jogado, o futebol-arte, aquele que existe porque a vitória não basta. Foi a última revolução do futebol, veja só, há 46 anos, e ela é muito utilizada nos campos de hoje com a tal intensidade de jogo tão repetida pelos professores, masters ou simplesmente técnicos de futebol. Uma pena ter perdido a final, embora os alemães tivessem também grandes craques, como Beckenbauer, Maier, Breitner, Overath e o artilheiro Gerd Müller.

Gerd Muller se prepara para chutar cruzado e fazer o gol que daria o título de 74 à Alemanha Ocidental
Gerd Müller se prepara para bater cruzado e marcar o gol que daria o título de 74 à Alemanha Oc.

Por falar neles, o primeiro jogo daquela Copa que assisti em casa, já em outro bairro da zona norte do Rio, foi a vitória dos donos da casa sobre o Chile, por 1 a 0, num golaço do Breitner. A estreia do Brasil, no dia anterior, contra a Iugoslávia (assim como o segundo, contra a Escócia) vi no colégio ao lado dos meus colegas de turma e de todas as outras do turno vespertino. 

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Mas não foram só holandeses e alemães ocidentais que fizeram bonito naquele Mundial. Se a então tricampeã mundial decepcionou muito, apesar de grandes jogadores na equipe (Leão, Luís Pereira, Marinho Chagas, Carpegiani, Paulo César Caju, Jairzinho, com o luxo de ter no banco Nelinho, Ademir da Guia e Leivinha), o mesmo não se pode dizer da Polônia, por exemplo. Lato, autor do gol da vitória na disputa do terceiro lugar contra os brasileiros, Szarmach, Tomasevski, Deyna, Zmuda e outros apresentaram um grande futebol. Suecos e iugoslavos não foram tão mal para suas possibilidades, e os alemães orientais surpreenderam, vencendo os irmãos ocidentais. Aquele Mundial teve um ótimo nível e foi um dos melhores que acompanhei.

A média de gols por jogo foi de 2,55, com o Brasil contribuindo muito para baixar a média, pois fez apenas seis (metade no Zaire) em 7 partidas (média de 0,86). O quarto lugar acabou sendo lucro. Quem  fez pior, entre as seleções mais tradicionais, foram a Itália e o Uruguai, que ficaram na primeira fase.

Aí abaixo selecionei um vídeo entre alguns que existem no YouTube, com todos os gols daquela Copa memorável (observe que a seleção brasileira só aparece marcando em três jogos, pois ficou no 0 a 0 com Iugoslávia e Escócia, nos dois primeiros jogos, e perdeu de 2 a 0 para a Holanda e de 1 a 0 para a Polônia, nos dois últimos). Foi uma Copa com muitos gols bonitos e duas goleadas escandalosas: Iugoslávia 9 x 0 Zaire e Polônia 7 x 0 Haiti. Divirta-se!  

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Setenta vezes Maracanã
Futebol-arte: os maiores jogos de todos os tempo 11

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

MÚSICA PRA VIAGEM: PREMIN

"Premin", ou "Pass Over", na versão em inglês, é uma música do trio Anastasija (ou Anastasia) que faz parte da belíssima trilha sonora do espetacular filme "Antes da Chuva" (Pred Dozhdot ou Before The Rain), dirigido pelo macedônio Milcho Manchevski (Milčo Mančevski). É definitivamente um dos melhores filmes que já vi e a música do grupo macedônio contribui muito para isso. Não por acaso, portanto, eu o revi pelo menos duas vezes, depois de tê-lo assistido no cinema.

Revisitar este belíssimo - e duríssimo - filme me remeteu a um texto de Rubem Alves em seu livro "Pérola Feliz Não Faz Ostra": os gregos inventaram a Arte ao extraírem a beleza da dor, da tristeza, da tragédia. Concordo muito e não só para desafinar ainda mais o desafinado coro dos contentes, muito menos para desafiar o dos descontentes. Para os gregos, Rubem Alves, eu e mais algumas muitas pessoas, Arte é a verdadeira cura. 

Esta música é para mim a mais bonita e longa da trilha, embora no filme toque apenas uns três minutos e meio dos mais de 11 do original. Para quem quer sair do habitual e premiar seus ouvidos com outros (belos) sons, vale muito ouvir (e na versão ao vivo, também ver) Goran Trajkovski (voz principal, gaita de fole e flauta), Zlatko Oriǵanski (violão, bandolim, flauta e segunda voz) e Zoran Spasovski (bateria, percussão, teclados e segunda voz). Ótima viagem!  

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Uma viagem no tempo e no espaço com Loreena McKennit
Um sonho chamado Kurosawa
Músicas que nos fazem viajar
Templos e espetáculos

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

MÚSICA PRA VIAGEM: CON TODA PALABRA

Lhasa de Sela já mereceu uma postagem neste blog, quando assustado descobri que ela havia morrido justamente quando buscava informações para escrever sobre esta incrível cantora, que conheci por intermédio de uma amiga, que me deu de presente o CD "The living road" no início deste século. Logo na primeira música do excelente álbum já fiquei arrepiado, "Con toda palabra".

Ela canta em espanhol, inglês e francês no disco que não tem uma música sequer que pudesse ser descartada. Depois disso fui pesquisar mais músicas e mais sobre ela. Aqui você pode saber mais, é só clicar. Mas antes, veja e ouça o vídeo abaixo, vale muito. A música é da própria Lhasa de Sela, em parceria com Vincent Ségal e Yves Desrosiers. 


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quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

MÚSICA PRA VIAGEM: NOS BARRACOS DA CIDADE

Logicamente, Gilberto Gil, que já apareceu nesta série como compositor em Cálice, tem outras músicas muito mais belas e que estarão por aqui em breve. No entanto, Nos Barracos da Cidade (Gilberto Gil/Liminha) serve aqui de desabafo, grito, berro, urro de indignação, revolta. O refrão desta música me vem à mente toda vez que leio ou vejo algo relacionado ao mais estúpido, incompetente, ignorante, irresponsável e cruel desgoverno que já passou por este país. Aquele que chafurda nos escritórios dos crimes, nas rachadinhas (sinônimo de peculato, roubo de dinheiro público, corrupção!) e na exaltação de tortura-torturadores e ditaduras-ditadores sanguinários desde muito antes de chegar ao poder.

Realmente, 2018 foi o ano em que o Brasil assinou o seu atestado de boçal, em que passamos a viver em estado de boçalidade. A nação chega a exibir diariamente aquela tal baba elástica e bovina, tão mencionada por Nelson Rodrigues, por toda sua omissão, espanto, estupefação, paralisia de nossas instituições, de nossas frouxas autoridades que ainda permitem a presença de ser tão nefasto na Presidência da República. Nós nos tornamos oficialmente bananas moles, a República das Bananas, os párias do mundo. Que nojo!

É tanta bizarrice em apenas dois anos deste infeliz mandato que fica até difícil enumerá-las. Apenas não, estes dois longínquos e sofridos anos que valem por dois séculos de destruição. E levaremos outros tantos, sei lá, quantos anos, quantas décadas para sairmos dos escombros, das cinzas, das excrecências e todo lixo gosmento deixado por esta quadrilha de insanos formada por pseudomilitares e pseudorreligiosos. Gente que rasga a bandeira brasileira e louva a americana e a israelense para se dizer patriota (o último refúgio dos canalhas, como bem disse Samuel Johnson, lá no século XVI) e chama o diabo de deus. E ainda vê Genésio, achando que é Jesus, numa goiabeira. 

Onde nós chegamos? Certamente no mais profundo círculo do inferno. 

Com um batuque vindo de todos os terreiros e toda a força nas gargantas: "Gente estúpida, gente hipócrita!"


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terça-feira, 8 de dezembro de 2020

MÚSICA PRA VIAGEM: CONCERTO PARA PIANO Nº 1

Embora não seja um exímio conhecedor, muito, muito longe disso, o gosto pela música clássica herdei de meu pai, que costumava ouvir a MEC FM no Rio de Janeiro. Provavelmente ele já havia recebido de seu pai esta herança, pois meu avô que não pude conhecer, Geraldo Ávila Neiva, era clarinetista no interior de Minas Gerais. E uma das obras clássicas que mais ouvi até hoje é este Concerto para Piano nº 1, de Tchaikovski, especialmente nos tempos em que morei em Rio do Ouro (ou Várzea das Moças, o bairro oficial no carnê do IPTU), em São Gonçalo (RJ).

Foi lá que escrevi a poesia "Bailarina Fumaça" (do livro ainda não publicado "Cor Própria") em que cito esta obra-prima do compositor russo, logo na primeira estrofe: "Raios de sol/ retos, paralelos,/ dedos transparentes/ a invadir a sombra da sala/ para iluminar e tocar/ o concerto para piano/ número um de Tchaikovski". Foi ouvindo esta música que as imagens que descrevo surgiram numa tarde (provavelmente) de outono na pequena sala da minha casa em que morei por 13 anos. 

Uma verdadeira viagem sem sair do lugar, provando que não existe melhor droga para nos embriagar do que a Arte. Espero que você embarque nessa também.

Veja também:
Músicas que nos fazem viajar 8: Awaken
Músicas que nos fazem viajar 4: Réquiem
Um tanto de grandeza e muito de coragem

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

MÚSICA PRA VIAGEM: MOTE DAS AMPLIDÕES

Esta certamente não é das músicas mais famosas do grande poeta, músico e cantador Zé Ramalho, mas é das que mais gosto. Viajo sempre nela, como em tantas outras deste grande compositor e artista, que já tive o imenso prazer de ver duas vezes em ação nos palcos: no Rock in Rio de 2001, ao lado de Elba Ramalho, um show que levantou poeira literalmente, e no primeiro após a internação por um problema cardíaco que ele teve, em 2013, no Vivo Rio.

Motes das Amplidões vou apresentar abaixo em duas versões, porque, embora eu prefira de longe a original, muito mais rica musicalmente, não deixa de ser curioso o encontro inusitado e rico também este do Zé com o Sepultura, também conhecido como Zépultura, que já tinha produzido ao menos outra pérola, A Dança das Borboletas, dele e de Alceu Valença. 

Veja também:

Não curto Sepultura, que ajudou e muito para aumentar a minha dor de ouvido no Rock in Rio de 2001 e me tirar da Cidade do Rock antes do showzaço, aço, aço do Iron Maiden que queria muito assistir. Mas com o Zé é "oto patamá". 

Curtam e dancem, especialmente na versão original gravada no LP A Peleja do Diabo Com o Dono do Céu, que ainda tenho e recomendo de montão. 

Clicaê quem curte CDs e vinis!



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sexta-feira, 20 de novembro de 2020

PAPO RETO SOBRE O MEU TRABALHO

O que vem a seguir já era para ter sido publicado há alguns anos, mas é chegada a hora. Espero fique bem claro e não seja grosseiro. Primeiramente, agradeço mesmo, de coração, a todos que curtem e, principalmente, compartilham, divulgam de alguma forma as postagens que publico aqui e nas redes sociais. Porém, se ninguém adquire os livros, ninguém os lê e eu perco duas vezes: leitor e dinheiro.

Pense bem nisso, porque só elogios e tapinhas nas costas não pagam as contas de ninguém. Por isso, dou o maior valor a quem me dá o maior valor, ou seja, quem realmente prestigia o que escrevo. Para adquirir um livro, basta clicar na imagem (ou nas imagens) daquele(s) que interessar depois do texto.

São todos fruto do meu trabalho, feito com inspiração e muita transpiração, e não da minha vaidade ou do meu hobby. 

Ótima leitura. E, desde já, muito obrigado.

   
livro físico

Obs.: Os links dos 4 primeiros livros são da Amazon.com.br. Porém, eles também podem ser adquiridos na Amazon.com (EUA) e de muitos outros países. "Lascívia" é uma coletânea de contos organizada e lançada pela Cartola Editora com vários outros autores.


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sexta-feira, 13 de novembro de 2020

MÚSICA PRA VIAGEM: WHITE ROOM

Talvez o maior power trio da História do roquenrol, o Cream não podia ficar fora desta série. Formado por Jack Bruce (baixo e vocal principal), Eric Clapton (guitarra e vocal) e Ginger Baker (bateria e vocal), a banda não durou muito tempo, mas o suficiente para desde a segunda metade da década de 60, quando surgiu e se extinguiu, registrar o seu nome na eternidade da música internacional. Três instrumentistas feras entrosados foram emplacando várias pérolas em quatro discos e muitos shows, até que ficaram grandes demais para conviverem num mesmo grupo. 

Depois da efêmera tentativa com o Blind Faith, em 1969, sem Bruce, mas com Steve Winwood (teclado e vocal), ex-Traffic, e Ric Grech (baixo e violino), ex-Family, Clapton, que já era "Deus" pichado num muro das ruas de Londres desde 1965, e Baker, que decidiu a se dedicar mais ao jazz, passaram a caminhar por suas próprias pernas. Houve reuniões posteriores apenas para comemorar aniversários do que deixaram de legado.

Das tantas músicas que adoro do Cream, escolhi aquela que mais gosto. Tanto que comecei a fazer uma versão para o português, há uns cinco anos, mas o refrão "Quarto Branco" ainda não se encaixou legal (talvez nunca), ao contrário dos demais versos, em que achei melhor invertê-los. Acredito que tenha ficado bem bacana, mas continuará na gaveta, pelo menos por enquanto. Curtam essa sonzeira aí abaixo, que é demais!

 

Veja também:
Músicas que nos fazem viajar 3: Mirrorball
Ariano Suassuna e a guitarra
Um tanto de grandeza e muito de coragem
Cheiro de chumbo no ar


segunda-feira, 9 de novembro de 2020

AGRADECIMENTO

Foi mais na raça do que no toque de bola, mas o que vale é a bola na rede e correr pro abraço. Graças a todos que apoiaram e ou divulgaram a campanha de financiamento coletivo para o relançamento de Contos da Bola, saímos de campo vitoriosos. A meta foi atingida no último dia (neste domingo, dia 8) e ainda passou um pouco. Portanto, só tenho a agradecer a cada um que pôde colaborar de alguma forma.

Agora, eu e a Cartola Editora começaremos o trabalho para o lançamento, provavelmente no início de 2021. Podem ter a certeza de que o livro (físico e digital) ficará ainda melhor do que na primeira vez, com alguns acréscimos e nova revisão do autor e dos profissionais da editora. Os primeiros três pontos conquistamos, agora é lutar para conquistar o troféu. E para isso, a presença da torcida leitora será fundamental. Muitíssimo obrigado!


Veja também:
"Profano" conquista corações
Tardes de outono
Lágrimas de sangue
"Sutilezas", amor, paixão e surpresas
"O negro crepúsculo", um livro muito bem recomendado

 

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

MÚSICA PRA VIAGEM: CONGÊNITO

"Se a gente falasse menos, talvez compreendesse mais" e "Tudo o que se tem não representa nada" ou "não representa tudo". Pinço estes versos de "Congênito" para iniciar este breve e sinceramente reverente texto sobre esta música do poeta do São Carlos, morro que frequentei por vezes quando criança. Era onde uma tia da minha mãe morava. Tempos idos, tempos outros, bem menos perigosos, com mais poesia, embora com a ferida da pobreza machucando aqui e ali. Ali e aqui, círculo vicioso brasileiro que nunca cessa. Por outra, cresce. Só cresce.

Então, aproveito que chegou por aqui há poucos dias "Meu nome é ébano - A vida e obra de Luiz Melodia", de Toninho Vaz, que estou muito ansioso por ler, mas me seguro, pois há ordem no meu caos. "Peralá", minha zona é organizada.! Então, como ia dizendo, ou melhor, escrevendo, trago para esta viagem musical, a 15ª, a primeira de uma série de obras-primas deste grande cantor e compositor infelizmente falecido em 2017.

Quatro anos antes tive a imensa sorte de vê-lo em ação no Sesc-Tijuca, portanto, próximo à área dele, à área nossa (minha até aquela época, pelo menos), e foi um bálsamo. Na lista lá embaixo você tem o link para ler o que escrevi na época aqui neste blog. Fique agora com a música aí no vídeo. E saca só a elegância do cara! Faz muita falta, mas a obra está aí para quem quiser ouvir e curtir. Muito.


UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #47

Uma coisa jogada com música - Capítulo #46 Garrincha e Pelé, durante a Copa do Mu...

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