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| Visão aérea da Cidade do Rock, em 2001 |
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| Iron Maiden no Rock in Rio 2001: Bruce Dickinson entre os guitarristas Dave Murray e Adrian Smith. O baixista Steve Harris está ao fundo, de costas. Foto: divulgação |
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| Cássia Eller. Foto: Divulgação |
Aqui você encontra, em essência, trabalhos do escritor e jornalista Eduardo Lamas Neiva sobre os mais variados temas. Obrigado pela visita, volte sempre.
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| Visão aérea da Cidade do Rock, em 2001 |
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| Iron Maiden no Rock in Rio 2001: Bruce Dickinson entre os guitarristas Dave Murray e Adrian Smith. O baixista Steve Harris está ao fundo, de costas. Foto: divulgação |
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| Cássia Eller. Foto: Divulgação |
Impossível ouvir esta música com a interpretação magnífica e apaixonada de Elis Regina e não me arrepiar, sentir os olhos inundando pouco a pouco vencendo facilmente aquele velho machismo que se debate, estrebucha e berra de desespero por dentro: "homem não chora!". Ainda não havia escolhido a próxima música para esta série, e até meio esquecido de pensar nisso, quando após assistir a umas entrevistas no YouTube me foi oferecido um vídeo de um professor de voz americano (acho que americano) reagindo a este vídeo aí abaixo. Vi, comovi-me, claro, ainda mais com as reações entusiasmadas dele, e só depois me dei conta que já tinha a 27ª música que nos faz viajar.
Elogiar Elis é chover no molhado. Sim, um clichê para destacar outro. Porém, mais difícil é encontrar palavras que definam o quanto sua voz e emoção ao cantar provoca em quem realmente se conecta com a Arte. Ainda mais quando ela canta "Como nossos pais", uma das muitas inspiradíssimas obras de Belchior, artista que estará aqui muitas vezes, podem cobrar. Com sua alma, Elis recriou a música, que já era - e é - ótima com o seu compositor. É, comparando ao mundo da bola, quando um craque dá um passe espetacular para um gênio, simples assim.
Os versos extraordinários de Belchior ganham uma força estupenda na voz, nos gestos, nos olhares de Elis, é só observar com um pouquinho de atenção a essa apresentação no Fantástico, de 1976. Felizes - e certamente sabiam disso - todos os que tiveram a oportunidade de assistir Elis ao vivo, especialmente naquele espetáculo "Falso Brilhante", com Cesar Camargo Mariano. Infelizmente não tive esta chance, mas não lamento. Eu a ouço repetidas vezes e é como se fosse aqui e agora. Como esta poesia de Belchior, tão atual, tão gritantemente atual, 45 anos depois.
"Mas é você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem!"... "Minha dor é perceber que apesar de tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais!".
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| Foto de Saul LOEB (AF) |
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| Foto publicada na BBC News Brasil sem crédito |
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| Foto de Myke Sena para o site Metrópoles |
Na verdade, tarde já é, muito, entretanto ainda há tempo de se tomar as medidas necessárias para se impedir que a inépcia genocida do principal desgovernante deste país deixe morrer mais 200 mil pessoas por causa de um vírus ou ele mesmo contagie de vez sua horda rumo a uma guerra civil, que sempre foi o seu desejo (é só rememorar muitas das suas declarações ao longo de sua desprezível vida na política). Se não agirem logo, não com violência, mas no limite das leis que estão na nossa Constituição, certamente veremos uma tragédia muito maior, não em vídeos e fotos, mas entrando pelas nossas janelas.
Veja também:
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Cheiro de chumbo no ar
Anti-Luther King: a E.E.ra das Trevas
Comportamento Geral vem aqui para protestar contra o culto à ignorância celebrado há décadas no país e a frouxidão de seu povo e suas instituições, que ouvem o zurrar diário do palácio como se fosse a bela voz de um rei. A culpa disso tudo, claro, é de quem escuta zurros em vez de canto, afinal jogar a responsabilidade para os outros é a "arminha" que os incompetentes, ignorantes, indolentes, pilantras exibem para tentar disfarçar sua incompetência, ignorância, indolência, pilantragem.
Mas Gonzaguinha é muito maior que estas miudezas e mediocridades. E compôs e gravou outras lindas músicas e letras, que certamente estarão aqui em outras oportunidades, seja com ele cantando ou outro(a) grande artista. O que impressiona especialmente em Comportamento Geral é que ela foi lançada originalmente num compacto simples, em 1972, e parece que (tirando a citação ao fuscão) vai ficando cada vez mais atual.
Infelizmente, Gonzaguinha faleceu muito novo (com 45 anos de idade), num acidente de carro, em uma estrada do Paraná, em 1991, após uma apresentação na cidade de Pato Branco, onde acho que pus um pé (ou quase) em janeiro do ano passado, quando fui a São Lourenço do Oeste (SC), município vizinho.
Na única oportunidade que tive de vê-lo ao vivo, acredito que uns dez anos antes da sua despedida dos palcos da vida, foi no ginásio Hugo Padula, do Grajaú Country Club. No entanto, ele se sentiu mal nas primeiras músicas e deixou o palco sem nem chegar perto da metade do show. Lembro-me sempre disso quando ouço suas músicas e agradeço por elas se eternizarem em mim e em tanta, tanta gente.
Comportamento Geral
Você deve notar que não tem mais tutu
E dizer que não está preocupado
Você deve lutar pela xepa da feira
E dizer que está recompensado
Você deve estampar sempre um ar de alegria
E dizer: tudo tem melhorado
Você deve rezar pelo bem do patrão
E esquecer que está desempregado
Você merece
Você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba e amanhã, seu Zé
Se acabarem teu carnaval
Você merece
Você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba e amanhã, seu Zé
Se acabarem teu carnaval
Você deve aprender a baixar a cabeça
E dizer sempre: muito obrigado
São palavras que ainda te deixam dizer
Por ser homem bem disciplinado
Deve pois só fazer pelo bem da nação
Tudo aquilo que for ordenado
Pra ganhar um fuscão no juízo final
E diploma de bem-comportado
Você merece
Você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba e amanhã seu Zé
Se acabarem teu carnaval
Mas você merece
Você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba e amanhã seu Zé
Se acabarem com teu carnaval
Você, você merece
Você merece
Tudo vai bem, tudo legal
E um fuscão no juízo final
Você merece
E diploma de bem-comportado
Você merece
Você merece
Se esqueça que está desempregado
Você merece
Você...
Tudo vai bem, tudo legal
Que maravilha
Falar de Supertramp é retornar à minha adolescência. Foi certamente o grupo daquele período da minha vida. Ouvi "Paris" (1980) e os outros LPs que comprei a seguir tantas vezes que não dá nem para ter idéia de quantas foram. O duplo ao vivo na capital francesa, então, nem se fala. Mas "Even in the quietest moments" (1977), talvez o mais melancólico do grupo inglês, seja o que mais gosto de todos os de estúdio, incluindo "Crime of the Century" (1974), que tem 7 de suas 8 músicas no "Paris". E é no disco de 1977, cuja a música título é belíssima também, que está a épica "Fool's Overture".
A viagem sonora da parte instrumental e dos vocais de Roger Hodgson, seu verdadeiro compositor, e Rick Davies, seu coautor oficial, me conquistou de primeira, quando ouvi o duplo ao vivo na casa de um amigo. Já contei esta história em outra postagem e o link vai lá embaixo.
Mas o que importa é o "Prelúdio do Louco" que pretendo tratar aqui. Longa para os padrões radiofônicos, ela pouco apareceu em emissoras de rádio e TV, como "Dreamer", Give little bit", "The Logical Song", "Take the long way home", "It's rainning again" etc. No entanto, qualquer fã do Supertramp, e mesmo aqueles que nem são tão fãs, mas apreciam uma ótima música, com uma letra bem feita e curiosa, que fica entre o filosófico e o irônico, não pode ignorá-la. Muito pelo contrário, especialmente pela interpretação de Hodgson, com sua voz marcante.
Sem mais muito papo, então, aí vão duas versões de "Fool's overture": a original, em estúdio, e ao vivo, em Paris, com a letra no segundo vídeo.
A maior prova de que o projeto Jogada de Música não abandonará a batalha e prossegue na disputa por seu lugar no campo da Cultura brasileira é esta belíssima música: "Estrela Solitária", de Zécarlos Ribeiro, gravada pelo grupo Rumo em 2018. Por quê, você pode estar se perguntando. Porque a descobri tem poucos dias durante a ótima programação da Rádio Devaneio, do meu amigo Luiz Antônio Mello, e não me furtei a colocá-la no extenso material de pesquisa de Jogada de Música.
O Rumo é um histórico grupo da Vanguarda Paulista, movimento que reuniu na Lira Paulistana nomes como Itamar Assumpção, Arrigo Barnabé, Premeditando o Breque (posteriormente Premê), entre outros, a partir do fim dos anos 70. Formado pelos irmãos Paulo e Luiz Tatit reúne outras tantas feras em seu timaço, entre elas a cantora Ná Ozetti, que tem ao menos uma outra música intimamente relacionada ao futebol em seu currículo, como por exemplo, a que Zé Miguel Wisnick fez em homenagem ao Doutor Sócrates.
Porém, o papo aqui é "Estrela Solitária", uma inspiradíssima obra que viaja do tempo-espaço, da imensidão do céu e do mar à leveza dos dribles de Mané Garrincha, ludibriando a Lei da gravidade, "iluminando o Maracanã". "A bola é a Terra/ A bola é o Sol/ A bola é a Lua/ A bola é gol".
Deleitem-se, isto aqui é Música!
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O falecimento há poucos dias do cantor Paulinho, do Roupa Nova, levou minha mente em viagem de volta à minha adolescência e às festinhas de amigos e colegas do colégio, no início dos anos 80. Os dois primeiros discos do Roupa eram presença certa em todas elas. Não tenho certeza se "Sapato Velho" era muito executada nas festas, mas como na mesma época as FMs a tocavam sem parar, tudo pertence ao mesmo tempo e lugar.
Esta música de Mú Carvalho (Cor do Som), Cláudio Nucci (ex-Boca Livre) e Paulinho Tapajós é uma das minhas prediletas. Ela fez parte do disco de estréia do Roupa Nova e gosto muito deste e dos dois posteriores da banda. Depois disso ficaram românticos demais para o meu gosto e me desinteressei. Antes, porém, fui a muitos shows deles, principalmente no ginásio Hugo Padula, do Grajaú Country Club.
Com amigos e meu irmão, já nos meus tempos da faculdade de Jornalismo (na infelizmente falecida Gama Filho), fomos à casa do guitarrista Kiko, que morava na época (1986, 87) em Bonsucesso, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro em que nasci, para fazer uma entrevista que não seria publicada em lugar algum. Pouco depois fomos a um show do Roupa no Canecão e, como já conhecíamos o Kiko, conseguimos ir ao camarim depois da apresentação e conhecer os outros cinco integrantes. Curiosamente, dois deles (Ricardo Feghali e, creio que, Nando) moravam no Grajaú, onde vivi de 1971 a 93 e depois de 2006 a 19, mas nunca os vi no bairro.
Outra curiosidade é que durante os anos 80 diziam que o nome do grupo havia sido dado por Milton Nascimento, por causa da música de mesmo nome. Mas isso foi desmentido posteriormente pelo próprio grupo. Bom, enquanto o Paulinho se encaminha para a Luz no Mundo Espiritual, aqui os fãs do Roupa Nova continuarão a se recordar dele com muito carinho e saudade. Em homenagem a ele, aos simpáticos integrantes do grupo e aos seus admiradores, a bela "Sapato Velho" no vídeo abaixo.
Este era um esboço guardado há muitos anos que retomei, diante da necessidade de inscrever algo inédito, para trazê-lo aos sombrios dias e noites deste 2020. É uma crônica com um certo jeito de conto, as imagens se confundem um pouco, afinal as intenções não estão lotando só infernos pessoais e coletivos, mas os mais discretos atos e pensamentos do nosso dia-a-dia. É preciso um olhar mais atento para as belezas do mundo, muitas delas nos mais simples e mínimos detalhes.
Além dessas boas novas, há outros movimentos sendo feitos nos bastidores graças a um sim que encerrará um jejum de 18 anos e um convite que me deixaram muito feliz. Em breve, poderei divulgá-los. E aos que carinhosamente perguntaram sobre o projeto Jogada de Música, ele está no vestiário e voltará para a segunda etapa, renovado, com muito mais força do que na etapa inicial, que teve a duração de cinco anos e a ajuda de vários parceiros, aos quais devo muita gratidão.
E assim vai chegando ao fim mais um ano, que para muitos não existiu, mas que para mim foi intenso, de muito trabalho (profissional e interno). Resiliência pode ser a palavra para resumir estes 12 meses que vão findando. Amigos e conhecidos se foram pela Covid, mas por outro lado muitos se recuperaram, inclusive minha mãe, e outros tantos estão se recuperando. Na fé e na vontade, tenho certeza de que faremos merecer um 2021 muito melhor, apesar... Não, não vou sujar este texto.
Feliz Natal e um Ano Novo repleto de Saúde, Paz e Prosperidade.
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"O negro crepúsculo", um trabalho de 11 anos
"Profano coração" está de volta
Os estupendos e dolorosos primeiros minutos do filme "Anticristo", do dinamarquês Lars Von Trier, é ilustrado por este trecho da ópera "Rinaldo", de Händel, música que você não consegue separar das imagens (em PB e câmera lenta). É uma obra-prima para ficar registrada eternamente na memória do cinema. Revi este filme, nada fácil de se assistir, há poucos dias e logo me impus a necessidade de colocá-la aqui nesta série que promete ser longa, bem longa e agradável, pelo menos para mim.
Apesar de algumas infelizes declarações e posições, Lars Von Trier é um dos grandes cineastas de todos os tempos. Pelo menos para mim é. E ele conquistou minha admiração logo no primeiro filme que vi dele: "Dogville". Depois vi outros tantos, mas o papo aqui não é cinema, é música, esta maravilha chamada "Lascia ch'io pianga".
Não tive o cuidado de ver nos créditos, nem a curiosidade de pesquisar quem canta e que orquestra toca esta obra na gravação que está no filme, que tem o grande Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg em sublimes e contundentes atuações. Preferi acreditar que é esta aí abaixo, com Patricia Petibon e a Orquestra Barroca de Veneza. Vá, veja, ouça, e deixe-me chorar.
E foi mesmo inesquecível aquele Mundial realizado na Alemanha Ocidental, por diversos motivos, e - ressalte-se - não só para mim, claro. Eu começara a esboçar minha ligação íntima com o futebol em 1973, não só acompanhando meu time do coração, o Flamengo, como já a seleção. Lembro-me bem de ter assistido na casa de um amigo que faria aniversário no dia seguinte ao amistoso em que o Brasil venceu a anfitriã da Copa do ano seguinte, por 1 a 0, em 16 de junho de 1973, com um gol de Dirceu, então ponta-esquerda do Botafogo.
Mas o que me maravilhou mesmo naquela Copa foi um time de laranja, já que Seu Zagallo pôs o Brasil numa retranca tão ferrenha que quase tira a seleção na primeira fase. Não fosse um chute improvável de Valdomiro e o goleirão frangueiro do Zaire... Mas foi Cruyff, Kroll, Neeskens, Rep e cia que fizeram minha cabeça e ajudaram muito a moldar o meu gosto pelo futebol bem jogado, o futebol-arte, aquele que existe porque a vitória não basta. Foi a última revolução do futebol, veja só, há 46 anos, e ela é muito utilizada nos campos de hoje com a tal intensidade de jogo tão repetida pelos professores, masters ou simplesmente técnicos de futebol. Uma pena ter perdido a final, embora os alemães tivessem também grandes craques, como Beckenbauer, Maier, Breitner, Overath e o artilheiro Gerd Müller.
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| Gerd Müller se prepara para bater cruzado e marcar o gol que daria o título de 74 à Alemanha Oc. |
Mas não foram só holandeses e alemães ocidentais que fizeram bonito naquele Mundial. Se a então tricampeã mundial decepcionou muito, apesar de grandes jogadores na equipe (Leão, Luís Pereira, Marinho Chagas, Carpegiani, Paulo César Caju, Jairzinho, com o luxo de ter no banco Nelinho, Ademir da Guia e Leivinha), o mesmo não se pode dizer da Polônia, por exemplo. Lato, autor do gol da vitória na disputa do terceiro lugar contra os brasileiros, Szarmach, Tomasevski, Deyna, Zmuda e outros apresentaram um grande futebol. Suecos e iugoslavos não foram tão mal para suas possibilidades, e os alemães orientais surpreenderam, vencendo os irmãos ocidentais. Aquele Mundial teve um ótimo nível e foi um dos melhores que acompanhei.
A média de gols por jogo foi de 2,55, com o Brasil contribuindo muito para baixar a média, pois fez apenas seis (metade no Zaire) em 7 partidas (média de 0,86). O quarto lugar acabou sendo lucro. Quem fez pior, entre as seleções mais tradicionais, foram a Itália e o Uruguai, que ficaram na primeira fase.
Aí abaixo selecionei um vídeo entre alguns que existem no YouTube, com todos os gols daquela Copa memorável (observe que a seleção brasileira só aparece marcando em três jogos, pois ficou no 0 a 0 com Iugoslávia e Escócia, nos dois primeiros jogos, e perdeu de 2 a 0 para a Holanda e de 1 a 0 para a Polônia, nos dois últimos). Foi uma Copa com muitos gols bonitos e duas goleadas escandalosas: Iugoslávia 9 x 0 Zaire e Polônia 7 x 0 Haiti. Divirta-se!
"Premin", ou "Pass Over", na versão em inglês, é uma música do trio Anastasija (ou Anastasia) que faz parte da belíssima trilha sonora do espetacular filme "Antes da Chuva" (Pred Dozhdot ou Before The Rain), dirigido pelo macedônio Milcho Manchevski (Milčo Mančevski). É definitivamente um dos melhores filmes que já vi e a música do grupo macedônio contribui muito para isso. Não por acaso, portanto, eu o revi pelo menos duas vezes, depois de tê-lo assistido no cinema.
Revisitar este belíssimo - e duríssimo - filme me remeteu a um texto de Rubem Alves em seu livro "Pérola Feliz Não Faz Ostra": os gregos inventaram a Arte ao extraírem a beleza da dor, da tristeza, da tragédia. Concordo muito e não só para desafinar ainda mais o desafinado coro dos contentes, muito menos para desafiar o dos descontentes. Para os gregos, Rubem Alves, eu e mais algumas muitas pessoas, Arte é a verdadeira cura.
Esta música é para mim a mais bonita e longa da trilha, embora no filme toque apenas uns três minutos e meio dos mais de 11 do original. Para quem quer sair do habitual e premiar seus ouvidos com outros (belos) sons, vale muito ouvir (e na versão ao vivo, também ver) Goran Trajkovski (voz principal, gaita de fole e flauta), Zlatko Oriǵanski (violão, bandolim, flauta e segunda voz) e Zoran Spasovski (bateria, percussão, teclados e segunda voz). Ótima viagem!
Veja também:
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Um sonho chamado Kurosawa
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Templos e espetáculos
Lhasa de Sela já mereceu uma postagem neste blog, quando assustado descobri que ela havia morrido justamente quando buscava informações para escrever sobre esta incrível cantora, que conheci por intermédio de uma amiga, que me deu de presente o CD "The living road" no início deste século. Logo na primeira música do excelente álbum já fiquei arrepiado, "Con toda palabra".
Ela canta em espanhol, inglês e francês no disco que não tem uma música sequer que pudesse ser descartada. Depois disso fui pesquisar mais músicas e mais sobre ela. Aqui você pode saber mais, é só clicar. Mas antes, veja e ouça o vídeo abaixo, vale muito. A música é da própria Lhasa de Sela, em parceria com Vincent Ségal e Yves Desrosiers.
Logicamente, Gilberto Gil, que já apareceu nesta série como compositor em Cálice, tem outras músicas muito mais belas e que estarão por aqui em breve. No entanto, Nos Barracos da Cidade (Gilberto Gil/Liminha) serve aqui de desabafo, grito, berro, urro de indignação, revolta. O refrão desta música me vem à mente toda vez que leio ou vejo algo relacionado ao mais estúpido, incompetente, ignorante, irresponsável e cruel desgoverno que já passou por este país. Aquele que chafurda nos escritórios dos crimes, nas rachadinhas (sinônimo de peculato, roubo de dinheiro público, corrupção!) e na exaltação de tortura-torturadores e ditaduras-ditadores sanguinários desde muito antes de chegar ao poder.
Realmente, 2018 foi o ano em que o Brasil assinou o seu atestado de boçal, em que passamos a viver em estado de boçalidade. A nação chega a exibir diariamente aquela tal baba elástica e bovina, tão mencionada por Nelson Rodrigues, por toda sua omissão, espanto, estupefação, paralisia de nossas instituições, de nossas frouxas autoridades que ainda permitem a presença de ser tão nefasto na Presidência da República. Nós nos tornamos oficialmente bananas moles, a República das Bananas, os párias do mundo. Que nojo!
É tanta bizarrice em apenas dois anos deste infeliz mandato que fica até difícil enumerá-las. Apenas não, estes dois longínquos e sofridos anos que valem por dois séculos de destruição. E levaremos outros tantos, sei lá, quantos anos, quantas décadas para sairmos dos escombros, das cinzas, das excrecências e todo lixo gosmento deixado por esta quadrilha de insanos formada por pseudomilitares e pseudorreligiosos. Gente que rasga a bandeira brasileira e louva a americana e a israelense para se dizer patriota (o último refúgio dos canalhas, como bem disse Samuel Johnson, lá no século XVI) e chama o diabo de deus. E ainda vê Genésio, achando que é Jesus, numa goiabeira.
Onde nós chegamos? Certamente no mais profundo círculo do inferno.
Com um batuque vindo de todos os terreiros e toda a força nas gargantas: "Gente estúpida, gente hipócrita!"
Embora não seja um exímio conhecedor, muito, muito longe disso, o gosto pela música clássica herdei de meu pai, que costumava ouvir a MEC FM no Rio de Janeiro. Provavelmente ele já havia recebido de seu pai esta herança, pois meu avô que não pude conhecer, Geraldo Ávila Neiva, era clarinetista no interior de Minas Gerais. E uma das obras clássicas que mais ouvi até hoje é este Concerto para Piano nº 1, de Tchaikovski, especialmente nos tempos em que morei em Rio do Ouro (ou Várzea das Moças, o bairro oficial no carnê do IPTU), em São Gonçalo (RJ).
Foi lá que escrevi a poesia "Bailarina Fumaça" (do livro ainda não publicado "Cor Própria") em que cito esta obra-prima do compositor russo, logo na primeira estrofe: "Raios de sol/ retos, paralelos,/ dedos transparentes/ a invadir a sombra da sala/ para iluminar e tocar/ o concerto para piano/ número um de Tchaikovski". Foi ouvindo esta música que as imagens que descrevo surgiram numa tarde (provavelmente) de outono na pequena sala da minha casa em que morei por 13 anos.
Uma verdadeira viagem sem sair do lugar, provando que não existe melhor droga para nos embriagar do que a Arte. Espero que você embarque nessa também.
Veja também:
Músicas que nos fazem viajar 8: Awaken
Músicas que nos fazem viajar 4: Réquiem
Um tanto de grandeza e muito de coragem
Esta certamente não é das músicas mais famosas do grande poeta, músico e cantador Zé Ramalho, mas é das que mais gosto. Viajo sempre nela, como em tantas outras deste grande compositor e artista, que já tive o imenso prazer de ver duas vezes em ação nos palcos: no Rock in Rio de 2001, ao lado de Elba Ramalho, um show que levantou poeira literalmente, e no primeiro após a internação por um problema cardíaco que ele teve, em 2013, no Vivo Rio.
Motes das Amplidões vou apresentar abaixo em duas versões, porque, embora eu prefira de longe a original, muito mais rica musicalmente, não deixa de ser curioso o encontro inusitado e rico também este do Zé com o Sepultura, também conhecido como Zépultura, que já tinha produzido ao menos outra pérola, A Dança das Borboletas, dele e de Alceu Valença.
Não curto Sepultura, que ajudou e muito para aumentar a minha dor de ouvido no Rock in Rio de 2001 e me tirar da Cidade do Rock antes do showzaço, aço, aço do Iron Maiden que queria muito assistir. Mas com o Zé é "oto patamá".
Curtam e dancem, especialmente na versão original gravada no LP A Peleja do Diabo Com o Dono do Céu, que ainda tenho e recomendo de montão.
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| livro físico |
Talvez o maior power trio da História do roquenrol, o Cream não podia ficar fora desta série. Formado por Jack Bruce (baixo e vocal principal), Eric Clapton (guitarra e vocal) e Ginger Baker (bateria e vocal), a banda não durou muito tempo, mas o suficiente para desde a segunda metade da década de 60, quando surgiu e se extinguiu, registrar o seu nome na eternidade da música internacional. Três instrumentistas feras entrosados foram emplacando várias pérolas em quatro discos e muitos shows, até que ficaram grandes demais para conviverem num mesmo grupo.
Depois da efêmera tentativa com o Blind Faith, em 1969, sem Bruce, mas com Steve Winwood (teclado e vocal), ex-Traffic, e Ric Grech (baixo e violino), ex-Family, Clapton, que já era "Deus" pichado num muro das ruas de Londres desde 1965, e Baker, que decidiu a se dedicar mais ao jazz, passaram a caminhar por suas próprias pernas. Houve reuniões posteriores apenas para comemorar aniversários do que deixaram de legado.
Das tantas músicas que adoro do Cream, escolhi aquela que mais gosto. Tanto que comecei a fazer uma versão para o português, há uns cinco anos, mas o refrão "Quarto Branco" ainda não se encaixou legal (talvez nunca), ao contrário dos demais versos, em que achei melhor invertê-los. Acredito que tenha ficado bem bacana, mas continuará na gaveta, pelo menos por enquanto. Curtam essa sonzeira aí abaixo, que é demais!
Veja também:
Músicas que nos fazem viajar 3: Mirrorball
Ariano Suassuna e a guitarra
Um tanto de grandeza e muito de coragem
Cheiro de chumbo no ar
Foi mais na raça do que no toque de bola, mas o que vale é a bola na rede e correr pro abraço. Graças a todos que apoiaram e ou divulgaram a campanha de financiamento coletivo para o relançamento de Contos da Bola, saímos de campo vitoriosos. A meta foi atingida no último dia (neste domingo, dia 8) e ainda passou um pouco. Portanto, só tenho a agradecer a cada um que pôde colaborar de alguma forma.
Agora, eu e a Cartola Editora começaremos o trabalho para o lançamento, provavelmente no início de 2021. Podem ter a certeza de que o livro (físico e digital) ficará ainda melhor do que na primeira vez, com alguns acréscimos e nova revisão do autor e dos profissionais da editora. Os primeiros três pontos conquistamos, agora é lutar para conquistar o troféu. E para isso, a presença da torcida leitora será fundamental. Muitíssimo obrigado!
"Se a gente falasse menos, talvez compreendesse mais" e "Tudo o que se tem não representa nada" ou "não representa tudo". Pinço estes versos de "Congênito" para iniciar este breve e sinceramente reverente texto sobre esta música do poeta do São Carlos, morro que frequentei por vezes quando criança. Era onde uma tia da minha mãe morava. Tempos idos, tempos outros, bem menos perigosos, com mais poesia, embora com a ferida da pobreza machucando aqui e ali. Ali e aqui, círculo vicioso brasileiro que nunca cessa. Por outra, cresce. Só cresce.
Então, aproveito que chegou por aqui há poucos dias "Meu nome é ébano - A vida e obra de Luiz Melodia", de Toninho Vaz, que estou muito ansioso por ler, mas me seguro, pois há ordem no meu caos. "Peralá", minha zona é organizada.! Então, como ia dizendo, ou melhor, escrevendo, trago para esta viagem musical, a 15ª, a primeira de uma série de obras-primas deste grande cantor e compositor infelizmente falecido em 2017.
Quatro anos antes tive a imensa sorte de vê-lo em ação no Sesc-Tijuca, portanto, próximo à área dele, à área nossa (minha até aquela época, pelo menos), e foi um bálsamo. Na lista lá embaixo você tem o link para ler o que escrevi na época aqui neste blog. Fique agora com a música aí no vídeo. E saca só a elegância do cara! Faz muita falta, mas a obra está aí para quem quiser ouvir e curtir. Muito.
Uma coisa jogada com música - Capítulo #46 Garrincha e Pelé, durante a Copa do Mu...