segunda-feira, 29 de maio de 2023

MEMÓRIAS DA GERAL DO MARACANÃ

Em entrevista ao meu amigo Sérgio Pugliese para o Museu da Pelada, o grande jornalista, comentarista, escritor Sérgio Cabral revelou que frequentou muito a geral do Maracanã na sua juventude. "Não tinha dinheiro pra pagar o ingresso de arquibancada", justificou. Essa declaração me trouxe de imediato recordações de muitos momentos que vivi no setor mais popular e pitoresco do velho estádio Mario Filho. Primeiramente me veio à lembrança o preço do ingresso, que, nos tempos em que a moeda brasileira era o cruzeiro, nos anos 70, a entrada para a geral custava Cr$ 0,30. Isso mesmo, 30 centavos, ou um pouco menos, um pouco mais, a memória trouxe o número e pus aqui, mas pode estar um pouco enganada. Só um pouco, creio.

Geral em dia de Maracanã lotado, nos anos 70. Reprodução do site do jornal O Dia

Assisti a vários jogos da geral nos anos 80, quando passei a não precisar mais da companhia do meu saudoso pai ou do pai ou tio de algum amigo para ir ao estádio. Algumas daquelas partidas são memoráveis, uma inclusive se tornou tema do Lamascast"CSA e Van Halen numa noite de verão carioca". Houve também a semifinal do Campeonato Brasileiro de 1986, entre América-RJ e São Paulo; um empate em 3 a 3 entre Botafogo e Vasco, pelo Torneio dos Campeões de 1982, que transformei em texto ficcional que publicarei no segundo Contos da Bola; o vozeirão de um torcedor rubro-negro gigantesco - pelo menos aos meus olhos de outrora - ecoando pelo estádio vazio: "Cantarelliiiii, ô Cantarelliiiii, dá na esquerda pro Júnior, pô!", e muitos, muitos outros personagens e jogos inesquecíveis.

Veja também:
O bom e velho Maraca, um personagem de "Contos da Bola"
O torcedor de futebol
"Contos da Bola", quem lê recomenda 

Quando comecei a frequentar a geral, o piso, que continuou abaixo do nível do campo até ser destruída, em 2005, era ainda mais baixo. Portanto, eu, do alto do meu 1,71m de altura (quase um pivô de basquete, não é mesmo?), pouco via realmente da partida lá embaixo. Porém, com a elevação do piso, as coisas melhoraram um pouco. Só um pouco. Por isso, mesmo depois desta obra que custou a retirada de algumas fileiras das antigas cadeiras azuis, sempre que podia, eu e quem estivesse comigo, subia para a arquibancada assim que terminava o primeiro tempo. Foi o que fiz, por exemplo, naquele Botafogo 3 x 3 Vasco citado acima. Para quem não sabe ou não se recorda, os portões do Maracanã, creio que por lei, eram abertos para quem quisesse sair ou entrar no intervalo dos jogos principais (e isso proporcionou a mim e muitos, muitos outros a assistir à parte final de muitas partidas, sem precisar pagar ingresso).

Sérgio Cabral. Foto do Museu da Pelada
Mesmo quando não ia ao estádio ou ia de arquibancada ou cadeira, a geral ganhava a atenção do meu olhar. Num tempo em que os jornais publicavam fotos abertas dos lances, flagrando quase sempre os geraldinos na hora de um gol ou um pouco antes, ficava eu mirando cada um atrás da baliza para captar a emoção que vivia naquele instante. Era um já pulando antes de a bola entrar, outro de olhos esbugalhados, mais alguém de mãos na cabeça... Uma infinidade riquíssima de sensações numa só foto que valia tanto quanto o próprio gol, fosse do meu time ou não. Na TV, aquela gente em volta do campo, bem perto do gramado, também atraía a minha atenção, mesmo com a bola rolando e muitas vezes com perigo de gol. Em dias e noites chuvosos era divertido assistir àqueles guarda-chuvas pretos (todos pretos) saltitando na hora que a bola beijava a rede. No YouTube, quem me lê agora vai poder encontrar vários exemplos que cito aqui e reviver ou ver e sentir pela primeira vez como eu nos anos 70 e 80. Veja um exemplo clicando aqui.

No entanto, o que mais me chamou a atenção na entrevista do Sérgio Cabral para o seu xará Pugliese e que me trouxe aqui para escrever este Memorial da Geral foi algo muito curioso que já tinha praticamente apagado da minha memória. Naqueles tempos de 13 a 21 anos (1980 a 87), tinha por hábito ir aos jogos no Maracanã para torcer, e depois, em casa, assistir com calma aos jogos nos videoteipes da antiga TVE (canal 2 do Rio de Janeiro, hoje chamada de TV Brasil), onde aliás vi e ouvi muitas vezes o Sérgio Cabral nas mesas redondas de domingo ou nos comentários dos jogos (aí só o ouvia). De geral só ia mesmo em jogos de menor público, então, várias vezes quando havia um escanteio no lado oposto às cabines de rádio, onde sempre ficávamos eu e meus amigos, corríamos para o local em que seria cobrado o córner e ficávamos pulando e acenando que nem malucos, sabendo que a câmera da TV focalizaria aquela parte do campo. Mais tarde, em casa, eu me deleitava pelo fato de termos aparecido na televisão. E isso se tornava assunto nos intervalos e recreio do colégio no dia seguinte ou, durante as férias escolares, no papo da rua antes de começar a pelada ou outra brincadeira qualquer.

Quanta inocência, né? Outros tempos. Tempos idos, vividos no planeta Século XX. Porém, é sempre muito bom poder contar essas histórias, relatando o que a memória captou verdadeiramente ou criando uma outra história com base na que vivi. Bem ou mal, é o que melhor sei fazer. 

Agora, depois disso tudo que narrei, o melhor que faço é assistir ao filme "Adeus, geral", que está há muito tempo na minha lista para "assistir mais tarde" do YouTube. Sugiro que você faça o mesmo (é só clicar ali no nome do filme). Até outro dia.

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terça-feira, 23 de maio de 2023

OLHARES ALHURES - FOTOS #115




 Fotos de Eduardo Lamas Neiva, feitas no dia 22 de maio de 2023, em Balneário, Florianópolis (SC)

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quarta-feira, 10 de maio de 2023

MÚSICA PRA VIAGEM: CARTÃO POSTAL

Rita Lee na época do lançamento de
"Fruto Proibido", seu terceiro álbum solo

Se tivesse que definir Rita Lee com uma única e escassa palavra, esta seria sagacidade. Sim, para mim, a grande cantora e compositora que se despediu deste louco mundo na segunda-feira à noite era muito sagaz. Nas palavras, nas músicas, em seus pensamentos e frases sempre estava lá, bem presente, o seu humor, sua rapidez de raciocínio, uma tirada surpreendente, sublinhada pela peculiar inteligência - e aqui peço perdão pela repetição, para frisar bem - sagaz

Nunca tive o prazer de entrevistar Rita Lee, sequer estar perto, nem show tive a chance de assistir. É, falha grave de minha parte, mas creio que compensei um pouco por comprar alguns de seus discos, em LP ou CD, e os ouvir, entre outros que não possuo, inúmeras vezes. Com muito, muito, prazer. Isso sem falar nos sucessos tocados insistentemente no rádio e na TV, especialmente na abertura de novelas. É, tenho um passado noveleiro, confesso.

Clicaê quem curte CDs e vinis!

Acrescidas às músicas que Rita gravou, as entrevistas a que assisti, mais a que tive o privilégio de fazer com Sérgio Dias, seu ex-companheiro de Mutantes, que apesar da longa distância (no tempo e no espaço físico), não deixou de declarar o seu amor por ela - declaração refeita ontem nas redes sociais -, posso dizer que de alguma forma eu a conhecia.

E para fazer uma pequena, mas sincera, homenagem e não deixar passar a despedida, que sempre "traz a esperança escondida", saindo do óbvio, como bem gosto (e ela também adorava, claro), trago aqui à série "Cartão Postal", que Rita Lee gravou em seu terceiro álbum solo: o maravilhoso, espetacular, sublime "Fruto Proibido", com a "bandaça" Tutti Frutti. A composição é dela e do Paulo Coelho, como outras do mesmo disco.

Muito obrigado, Rita! 

"Pra quê, sofrer com despedida..."


Veja também:
Sábado mágico com o Mutante Sérgio Dias
Estação Supernova é a nossa parada!
Poesias cantadas 4: Salvação e perdição
"Sutilezas", amor, paixão e surpresas
"Velhos conhecidos", o novo ebook de Eduardo Lamas Neiva
Eduardo Lamas Neiva lança ebook de monólogos

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terça-feira, 9 de maio de 2023

"VELHOS CONHECIDOS", UMA PEÇA EM EBOOK

Após lançar recentemente o ebooks com o conto "Atrasado", o escritor e jornalista Eduardo Lamas Neiva publica a sua mais recente peça de teatro, ainda inédita: "Velhos conhecidos". O ebook está à venda na Amazon do Brasil por apenas R$ 2,97, mas também pode ser adquirido na Amazon de mais 12 países. Para adquirir o seu, clique aqui ou na capa ao lado.

Pedro de Albuquerque vai à casa de Carlos Alberto Fanzini por um motivo especial, após muito tempo afastados. A conversa entre os dois setentões, tão diferentes de personalidade e visões de vida, inicia hesitante, mas logo recupera a intimidade que tinham quando mais jovens. Ambos fazem um passeio pelo passado que viveram, juntos ou separados, carregado de emoção, risadas e algumas revelações surpreendentes.

Este texto escrito para os palcos é uma entre as tantas peças inéditas escritas por Eduardo Lamas Neiva, autor que teve encenada "Sentença de Vida", entre 2002 e 2003, no Rio de Janeiro, Niterói (RJ) e São Gonçalo (RJ), com direção da saudosa Cristine Cid, que foi sua esposa e é mãe de seus três filhos, atuação de Denize Nichols e cenário de Cátia Vianna. "A confissão", outra peça de sua autoria, deve ser apresentada em breve, no formato cineteatro pela Oráculo Cia de Teatro, do Rio de Janeiro.

quinta-feira, 4 de maio de 2023

RIMA

 Você pode não ter percebido ainda,
mas reis rimam com miseráveis.



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quinta-feira, 27 de abril de 2023

RÓTULOS

De tanto serem tratadas como objeto, produto, parece que as pessoas passaram a gostar disso, pois fazem questão de assumir um ou mais rótulos. Com orgulho.

Veja também:
Gasolina no incêndio 15
Penso, logo sinto 26
Estilhaços 12
Questão Em Questão 3
A melhor propaganda de todos os tempos
O negro crepúsculo - trecho do capítulo IV


segunda-feira, 24 de abril de 2023

"UMA COISA JOGADA COM MÚSICA" NO MUSEU DA PELADA

Desde o dia 17 de março de 2023, a série "Uma coisa jogada com música", que deu origem ao projeto Jogada de Música, está sendo publicada no site do Museu da Pelada. Aqui neste blog cheguei a publicar 54 episódios, entre fevereiro de 2022 e o início do ano seguinte, mas acabei arquivando e vou aos poucos desarquivando para quem quiser acompanhar por aqui também. 

A convite do jornalista Sérgio Pugliese, no entanto, resolvi recomeçar, revisar os textos e, agora com fotos, publicar no Museu sob a edição de André Mendonça.

Aqui, nesta postagem mesmo, vou atualizando os capítulos, com seus respectivos links, para que você, apaixonado pela História do nosso futebol e da nossa música, possa acompanhar o papo entre João Sem Medo, Ceguinho Torcedor, Sobrenatural de Almeida, Idiota da Objetividade, o garçom Zé Ary e muitos outros craques da bola e do som no bar Além da Imaginação.

Todas as sextas-feiras você encontra um novo episódio no Museu da Pelada. Não perca! 

Capítulo 1 no Museu da Pelada e aqui no blog
Capítulo 2 no Museu da Pelada e aqui no blog 
Capítulo 3 no Museu da Pelada e aqui no blog
 Capítulo 4 no Museu da Pelada e aqui no blog
Capítulo 5 no Museu da Pelada e aqui no blog
Capítulo 6 no Museu da Pelada e aqui no blog
Capítulo 7 no Museu da Pelada e aqui no blog



Capítulo 8 no Museu da Pelada e aqui no blog
Capítulo 9 no Museu da Pelada e aqui no blog 
Capítulo 10 no Museu da Pelada e aqui no blog
Capítulo 11 no Museu da Pelada e aqui no blog
Capítulo 12 no Museu da Pelada e aqui no blog
Capítulo 13 no Museu da Pelada e aqui no blog

Capítulo 14 no Museu da Pelada e aqui no blog
Capítulo 15 no Museu da Pelada e aqui no blog
Capítulo 16 no Museu da Pelada e aqui no blog
Capítulo 17 no Museu da Pelada e aqui no blog
Capítulo 18 no Museu da Pelada e aqui no blog
Capítulo 19 no Museu da Pelada e aqui no blog

Capítulo 20 no Museu da Pelada e aqui no blog
Capítulo 21 no Museu da Pelada e aqui no blog
Capítulo 22 no Museu da Pelada e aqui no blog
Capítulo 23 no Museu da Pelada e aqui no blog
Capítulo 24 no Museu da Pelada e aqui no blog
Capítulo 25 no Museu da Pelada e aqui no blog

Capítulo 26 no Museu da Pelada e aqui no blog
Capítulo 27 no Museu da Pelada e aqui no blog
Capítulo 28 no Museu da Pelada e aqui no blog
Capítulo 29 no Museu da Pelada e aqui no blog
Capítulo 30 no Museu da Pelada e aqui no blog
Capítulo 31 no Museu da Pelada e aqui no blog

Capítulo 32 no Museu da Pelada e aqui no blog
Capítulo 33 no Museu da Pelada e aqui no blog
Capítulo 34 no Museu da Pelada e aqui no blog
Capítulo 35 no Museu da Pelada e aqui no blog 
Capítulo 36 no Museu da Pelada e aqui no blog
Capítulo 37 no Museu da Pelada e aqui no blog

Capítulo 38 no Museu da Pelada e aqui no blog
Capítulo 39 no Museu da Pelada e aqui no blog
Capítulo 40 no Museu da Pelada e aqui no blog
Capítulo 41 no Museu da Pelada e aqui no blog
Capítulo 42 no Museu da Pelada e aqui no blog
Capítulo 43 no Museu da Pelada e aqui no blog

Capítulo 44 no Museu da Pelada e aqui no blog
Capítulo 45 no Museu da Pelada e aqui no blog
Capítulo 46 no Museu da Pelada e aqui no blog
Capítulo 47
Capítulo 48
Capítulo 49

Capítulo 50
Capítulo 51
Capítulo 52
Capítulo 53
Capítulo 54
Capítulo 55

Capítulo 56
Capítulo 57
Capítulo 58
Capítulo 59
Capítulo 60
Capítulo 61

Capítulo 62
Capítulo 63
Capítulo 64
Capítulo 65
Capítulo 66
Capítulo 67

Capítulo 72

Fim da 1ª temporada
(Em breve, a 2ª temporada)

Veja também:
Zico cantando de galo no Jogada de Música
Música e futebol, o Brasil no Primeiro Mundo

"Contos da bola": quem lê recomenda


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sábado, 22 de abril de 2023

MÚSICA PRA VIAGEM: PERFECT STRANGERS

Lembro muito bem de quando ouvi pela primeira vez o LP "Perfect Strangers", do Deep Purple, em meados dos anos 80, no apartamento de um vizinho amigo. E depois de o disco ter sido ouvido inúmeras vezes por nós, meu irmão e outro amigo, ávidos pelo rock'n roll naqueles tempos do primeiro Rock in Rio, realizado em janeiro de 1985. Pouco tempo depois, com a febre de programas de vídeo-clipes, a música que dá título ao álbum era reprisada inúmeras vezes e me recordo - antes de rever o vídeo publicado abaixo - dos componentes do grupo inglês em determinado momento jogando (mal, muito mal) futebol num gramado.

Só por essa introdução e, obviamente, a qualidade da banda e desta música, ela já mereceria estar nesta série aqui do blog. Porém, o que me motivou trazê-la aqui foi um vídeo que me foi sugerido pelo YouTube de uma apresentação de Bruce Dickinson, cantor do Iron Maiden (outra banda que já esteve aqui) no mês passado em Sofia, Bulgária, com orquestra e tudo. Foi gravada por um espectador, creio que o próprio Bilser Valchev, autor da publicação em seu canal. Gostei tanto que o agradeci e tive a ideia de trazer para cá, as duas versões maravilhosas, nas grandiosas vozes de Bruce Dickinson e Ian Gillan, muitíssimo bem acompanhados de banda e, no caso do primeiro, orquestra. Sem mais delongas, vamos ao som! 



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sexta-feira, 31 de março de 2023

quarta-feira, 22 de março de 2023

MÚSICA PRA VIAGEM: POETRY IN THE BIRDS

E cá estou eu novamente às voltas com as Minas Gerais, terra de meu saudoso pai e tantos ancestrais. Entrei no YouTube para ver uma coisa e me foi sugerido este vídeo. Chapei! Flávio Venturini, Annie Haslam, a maravilhosa cantora do Renaissance, e Marcus Viana, violinista do Sagrado Coração da Terra, juntos! Não podia sair nada mais ou menos. Portanto, ouvi sem perder tempo e trouxe logo pra cá. Curtam aí, sem mais papo.


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quinta-feira, 16 de março de 2023

MÚSICA PRA VIAGEM: ESTRELADA

Até bem poucos sábados atrás, não havia prestado a devida atenção ao trabalho que Milton Nascimento e Jon Anderson fizeram juntos no início dos anos 90. Como? Não sei. Coisas da vida. Adoro os dois, e juntos, com suas vozes de deuses, eu não deveria ter perdido por tanto tempo. Porém - há sempre um porém que nos põe no rumo certo - assisti a um documentário no YouTube sobre o disco "Relayer", do Yes (eu ainda tenho o LP, acredite!), e sei lá eu por qual motivo, recordei-me deste período em que Milton gravou com Anderson. Talvez a morte de Wayne Shorter, na véspera, e a bela homenagem que vi de Milton lhe prestar no Instagram tenha influenciado. Talvez. Talvez muito.

Então, achei uns vídeos do show que ambos fizeram no icônico Palácio das Artes, em Belo Horizonte, em 1993, que teve, soube só agora, transmissão ao vivo da TV Bandeirantes, mas o som está muito ruim. Então, busquei este vídeo abaixo, que é de arrepiar do início ao fim. A poesia de Marcio Borges é simplesmente um primor ("Os teus homens não têm juízo/ Esqueceram tão grande amor/ Ofereces os teus tesouros/ Mas ninguém dá o teu valor// Terra, Terra, eu sou teu filho/ Como as plantas e os animais/ Só ao teu chão eu me entrego/ Com amor, firmo tua paz") e o arranjo, sublime. Das vozes, já falei e poderia repetir mil vezes. Um milhão de vezes.
  
Como uma coisa puxa a outra, pesquisei a ficha técnica do disco "Angelus", onde foi gravada "Estrelada", em 1993, e vi que Shorter participou com seu sax. E outra voz que procuro sempre ter bem perto do ouvido, Peter Gabriel, também está lá, em "Qualquer coisa haver com o paraíso". Lindo, lindo, lindo! Bom, fiquem com "Estrelada", que vou lá ouvir o disco inteiro, que agora lembro, um amigão, recentemente falecido, um dia teve a generosidade de gravar junto com mais outros muitos de Milton e me dar de presente. Nunca o ouvi inteiro. Como? Não sei. Coisas da vida. Falhas que vamos corrigindo ao longo da vida, porque depois, nem sei. Só vislumbro.

Fica aqui esta homenagem a você Marcito, meu amigo, e estendo a dois outros grandes amigos que também perdi entre setembro e fevereiro, Fernando e Dirley. Fiquem aí ouvindo os anjos no Céu, que ouço os que ainda moram por aqui. É tudo uma coisa só, né? É. É o que pensinto, meus caros amigos. Vocês sabem melhor do que eu. Um dia saberei. Mas quero que demore. Não o nosso reencontro, pois ele se dá - e se dará - toda vez que nos lembrarmos do quanto vivemos juntos, mas de partir daqui. Ainda estou apegado e gosto muito das belezas daqui, como sei que vocês também gostavam. Aliás, gostam ainda, só veem de outro ângulo, outro plano, outras formas. Abração, meus amigos. 

E termino assim, por ora, com a palavra predileta de Milton, no plural.


quarta-feira, 8 de março de 2023

"CANÇÕES" EM HOMENAGEM AO DIA DAS MULHERES

Ilustração do site "Dreamstime"

Estes versos abaixo chamados "Canções" dão título a um livro ainda inédito. Publico-os aqui hoje em homenagem às mulheres todas, em especial às da minha vida: aquela que me deu a vida, aquela que também veio daquela que me deu a vida, aquela que deu a vida a meus três filhos, aquela que ajudei a ser gerada e criada, e aquela que mora comigo há mais de 8 anos e me ama e é amada por mim diariamente.

CANÇÕES
As canções que ouvi
Minha mãe me sorrir
As canções que cantei
Pros meus filhos dormir
As canções que criei
Só pra me divertir
As canções que do rádio eu ouvi
Pra nunca mais me esquecer
As canções que na memória guardei
Pra poder repetir
As canções que eriçaram
Minha pele,
Meus pelos, cabelos
Transbordaram minh’alma
E me fizeram chorar
De alegria e prazer
Emoção e lazer
São as eternas canções
que cantarei para ti.

Veja também:
Ao Dia da Mulher
Gasolina no incêndio 3
Esperar pelo sol
"Sutilezas", amor, paixão e surpresas
"Profano coração" está de volta
"O negro crepúsculo", um livro muito bem recomendado

segunda-feira, 6 de março de 2023

ZICO 70 ANOS, PARABÉNS E OBRIGADO!

A comemoração dos 70 anos do maior ídolo da História do meu time do coração, completados na última sexta-feira, dia 3 de março, não podia ficar fora deste blog. Então, fiz uma pesquisa para saber quantos jogos vi Zico jogar no Maracanã. Foram ao todo 108 partidas, sendo que em 57 delas o camisa 10 da Gávea fez ao menos um gol. No total, vi o Galinho de Quintino marcar 95 gols (como explico abaixo, seriam 96 se eu não tivesse chegado um pouquinho tarde num clássico com o Botafogo) dos 333 que o tornaram o maior artilheiro do Maraca até hoje. 

Zico comemora um dos seus 3 gols na goleada sobre o Flu, em 86. Foto de Ari Gomes

A lista vai abaixo, com alguns links em jogos em que Zico deixou ao menos um gol na rede adversária ou muito importantes para a carreira dele, com muitas conquistas e a dolorosa lesão sofrida em 85 num jogo contra o Bangu que ajudou a encurtar a sua carreira. Parabéns, Zico! Muita Saúde sempre. E muito obrigado pelas muitas alegrias e a gentileza com que sempre me recebeu para entrevistas.

1- Flamengo 2 x 1 América-RJ - 1974 (1/1)
2- Flamengo 2 x 1 América-RJ - 1974 (0/1)
3- Flamengo 4 x 2 Internacional - 1975 (2/3)
4- Brasil 2 x 0 URSS - 1976 (1/4)
5- Brasil 2 x 0 Tchecoslováquia - 1978 (1/5)
6- Flamengo 2 x 2 América-RJ - 1978 (0/5)
7- Flamengo 1 x 0 Botafogo - 1978 (1/6)
8- Flamengo 1 x 0 Vasco - 1978 (0/6)
9- Flamengo 3 x 0 Botafogo - 1979 (1/7)
10- Brasil 6 x 0 Paraguai - 1979 (3/10)
11- Flamengo 4 x 0 São Cristóvão - 1979 (2/12)
12- Flamengo 0 x 1 Botafogo - 1979 (0/12)
13- Flamengo 1 x 4 Palmeiras - 1979 (1/13)
14- Flamengo 1 x 2 Botafogo-PB - 1980 (0/13)
15- Flamengo 2 x 1 Ferroviário-CE - 1980 (2/15)
16- Flamengo 5 x 0 Itabaiana-SE - 1980 (4/19)
17- Flamengo 2 x 2 Ponte Preta - 1980 (1/20)
18- Flamengo 6 x 2 Palmeiras - 1980 (2/22)
19- Flamengo 2 x 1 Bangu - 1980 (1/23)
20- Flamengo 2 x 1 Santa Cruz - 1980 (0/23)
21- Flamengo 3 x 0 Desportiva Ferroviária-ES - 1980 (3/26)
22- Flamengo 2 x 0 Santos - 1980 (2/28)
23- Flamengo 4 x 3 Coritiba - 1980 (0/28)
24- Flamengo 3 x 2 Atlético-MG - 1980 (1/29)
25- Brasil 1 x 2 URSS - 1980 (0/29)
26- Flamengo 1 x 0 América-RJ - 1980 (1/30)
27- Flamengo 1 x 1 Botafogo - 1980 (0/30)
28- Flamengo 2 x 0 Bonsucesso - 1980 (0/30)
29- Flamengo 7 x 1 Niterói - 1980 (4/34)
30- Flamengo 1 x 1 Fluminense - 1980 (0/34)
31- Flamengo 1 x 1 Botafogo - 1980 (1/35)
32- Flamengo 2 x 1 Bangu - 1980 (0/35)
33- Flamengo 1 x 1 América-RJ - 1980 (1/36)
34- Seleção Carioca 3 x 3 Seleção Paulista (0/36)
35- Flamengo 2 x 1 Atlético-MG - 1981 (0/36)
36- Brasil 3 x 1 Bolívia - 1981 (3/39)
37- Flamengo 4 x 2 Uberaba-MG (0/39)
38- Flamengo 2 x 1 Colorado-PR - 1981 (2/41)
39- Flamengo 2 x 0 Bahia - 1981 (0/41)
40- Flamengo 0 x 0 Botafogo - 1981 (0/41)
41- Flamengo 1 x 3 Botafogo - 1981 (1/42)
42- Flamengo 1 x 1 Bangu - 1981 (0/42)
43- Flamengo 7 x 0 Americano - 1981 (0/42)
44- Flamengo 1 x 0 Vasco - 1981 (1/43)
45- Flamengo 1 x 2 Fluminense - 1981 (1/44)
46- Flamengo 0 x 0 Botafogo - 1981 (0/44)
47- Flamengo 2 x 0 Serrano-RJ - 1981 (1/45)
48- Flamengo 1 x 1 Olímpia-PAR - 1981 (0/45)
49- Flamengo 2 x 2 Atlético-MG - 1981 (0/45)
50- Flamengo 3 x 1 América-RJ - 1981 (1/46)
51- Flamengo 1 x 1 Fluminense - 1981 (0/46)
52- Flamengo 2 x 0 Boca Juniors - 1981 (2/48)
53- Flamengo 1 x 2 Botafogo - 1981 (0/48)
54- Flamengo 4 x 0 América-RJ - 1981 (3/51)
55- Flamengo 6 x 0 Botafogo - 1981 (2/53)
56- Flamengo 3 x 1 Fluminense - 1981 (0/53)
57- Flamengo 0 x 2 Vasco - 1981 (0/53)
58- Flamengo 2 x 1 Vasco - 1981 (0/53)
59- Flamengo 3 x 2 São Paulo  - 1982 (2/55)
60- Flamengo 5 x 0 Treze-PB - 1982 (1/56)
61- Flamengo 3 x Ferroviário-CE - 1982 (3/59)
62- Flamengo 1 x 1 Náutico - 1982 (0/59)
63- Flamengo 2 x 1 Atlético-MG - 1982 (0/59)
64- Flamengo 2 x 0 Sport Recife - 1982 (2/61)
65- Flamengo 2 x 1 Santos - 1982 (0/61)
66- Flamengo 2 x 1 Guarani - 1982 (1/62)
67- Flamengo 1 x 1 Grêmio - 1982 (1/63)
68- Flamengo 5 x 2 Campo Grande-RJ - 1982 (2/65)
69- Flamengo 4 x 0 Portuguesa-RJ - 1982 (2/67)
70- Flamengo 8 x 0 Madureira - 1982 (3/70)
71- Flamengo 3 x 0 Botafogo - 1982 (2/72)*
72- Flamengo 3 x 0 Fluminense - 1982 (0/72)
73- Flamengo 3 x 2 América-RJ - 1982 (1/73)
74- Flamengo 1 x 1 Bangu - 1982 (0/73)
75- Flamengo 0 x 0 Vasco - 1982 (0/73)
76- Flamengo 1 x 0 Vasco - 1982 (0/73)
77- Flamengo 3 x 1 Bonsucesso - 1982 (2/75)
78- Flamengo 1 x 0 Botafogo - 1982 (1/76)
79- Flamengo 4 x 2 River Plate - 1982 (1/77)
80- Flamengo 0 x 1 Peñarol-URU - 1982 (0/77)
81- Flamengo 1 x 0 América-RJ - 1982 (0/77)
82- Flamengo 0 x 1 Vasco - 1982 (0/77)
83- Flamengo 1 x 1 Moto Clube-MA - 1983 (1/78)
84- Flamengo 7 x 1 Rio Negro-AM - 1983 (1/79)
85- Flamengo 3 x 2 Paysandu - 1983 (0/79)
86- Flamengo 3 x 0 Americano - 1983 (1/80)
87- Flamengo 2 x 0 Tiradentes-PI - 1983 (2/82)
88- Flamengo 1 x 1 Palmeiras - 1983 (0/82)
89- Flamengo 2 x 0 Goiás - 1983 (1/83)
90- Flamengo 5 x 1 Corinthians - 1983 (2/85)
91- Flamengo 2 x 0 Guarani - 1983 (0/85)
92- Flamengo 1 x 1 Vasco - 1983 (1/86)
93- Flamengo 3 x 0 Atlético-PR - 1983 (2/88)
94- Flamengo 3 x 0 Santos - 1983 (1/89)
95- Brasil 1 x 1 Paraguai - 1985 (0/89)
96- Flamengo 3 x 0 Bahia - 1985 (1/90)
97- Flamengo 2 x 2 Ceará - 1985 (0/90)
98- Flamengo 0 x 0 Bangu - 1985 (0/90)
99- Flamengo 4 x 1 Fluminense - 1986 (3/93)
100- Flamengo 1 x 0 Fluminense - 1986 (0/93)
101- Flamengo 2 x 2 Bangu - 1987 (0/93)
102- Flamengo 1 x 0 Fluminense - 1987 (0/93)
103- Flamengo 0 x 1 Vasco - 1987 (0/93)
104- Flamengo 3 x 1 Santa Cruz - 1987 (3/96)
105- Flamengo 1 x 0 Atlético-MG - 1987 (0/96)
106- Flamengo 1 x 0 Internacional - 1987 (0/96)
107- Flamengo 1 x 1 Palmeiras (3 x 4, nos pênaltis) - 1988 (0/96)
108- Flamengo 2 x 2 World Cup Masters - 1990 (0/96)**

*O primeiro gol desta partida, na verdade, eu não vi no Maracanã, só depois na TV, pois quando entrei no Maracanã, já estava 1 a 0. Este gol foi marcado com 1 minuto de jogo. 

** A festa de despedida do Zico foi a primeira vez em que trabalhei como repórter no Maracanã, pelo Jornal dos Sports.
Obs.: Não contei o Jogo das Estrelas, que presenciei umas duas ou três vezes no Maracanã com meus filhos. Na verdade, o embrião deste evento tradicional de fim de ano organizado por Zico, ainda nos anos 70, foi com partidas de futebol de salão (sim, ainda era chamado assim), no Grajaú Country Club, e fui a vários lá.

Foto de Ricardo Ayres, editada por mim, na antiga sede do Jornal dos Sports, no
Centro do Rio de Janeiro, em 1990, ano em que fiz 24 anos e Zico, 37

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